Da Redação
A Polícia Federal prendeu preventivamente na manhã desta quarta-feira, 4, o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. A ação, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, cumpre quatro mandados de prisão preventiva e 15 ordens de busca e apreensão nos estados de São Paulo e Minas Gerais. Também foram bloqueados bens e ativos avaliados em até R$ 22 bilhões.
O que é a Operação Compliance Zero
Lançada inicialmente para apurar irregularidades no sistema financeiro, a Operação Compliance Zero investiga crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, ameaça e invasão de dispositivos eletrônicos praticados por uma organização criminosa. O caso tramita no Supremo Tribunal Federal e contou com apoio técnico do Banco Central do Brasil.
Esta é a terceira vez que a operação avança às ruas desde o início das investigações. Na primeira fase, Vorcaro chegou a ficar preso por 12 dias, mas obteve relaxamento da prisão e passou a usar tornozeleira eletrônica enquanto cumpria prisão domiciliar. Desta vez, a prisão é de natureza preventiva — sem prazo determinado para encerramento.
Novo relator, nova estratégia
Um ponto relevante desta fase é a troca de relatoria do caso no STF. Em 12 de fevereiro, após reunião com dez ministros da Corte, o processo saiu das mãos do ministro Dias Toffoli e passou ao ministro André Mendonça. A decisão envolveu amplo debate interno no tribunal.
Desde que assumiu o caso, André Mendonça realizou pelo menos duas reuniões com a Polícia Federal — e, ao contrário do que é habitual, optou por conversar diretamente com os delegados responsáveis pela investigação, e não apenas com a cúpula da corporação. Os mandados cumpridos nesta quarta-feira já foram expedidos pelo novo relator.
Bloqueio de R$ 22 bilhões e afastamento de cargos
Além das prisões e buscas, a Justiça determinou o afastamento de investigados de cargos públicos e o bloqueio preventivo de bens em montante de até R$ 22 bilhões. O objetivo é impedir a movimentação de recursos vinculados ao grupo investigado e proteger valores que possam estar ligados aos crimes apurados.
A investigação apura uma rede complexa de fundos financeiros, em que um fundo aplica em outro e assim por diante, dificultando o rastreamento do dinheiro. No dia anterior à operação, o liquidante do Banco Master já havia recuperado cerca de R$ 1 bilhão que teriam sido desviados, retirando esses valores do controle de Vorcaro.
Cunhado do banqueiro também na mira
Segundo a Globonews, além de Vorcaro, informações preliminares apontam que Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro e descrito como ligado a fundos de investimento investigados, também seria alvo de medidas judiciais nesta fase da operação. A natureza exata da ação contra ele — se prisão ou busca e apreensão — ainda está sendo apurada. Zettel é apontado como figura central em um esquema envolvendo administração fraudulenta de fundos.
O caso Master, ressaltam os investigadores, não se resume ao banco em si: envolve a tentativa de repassar ativos podres ao BRB e o impacto sobre investidores que aplicaram nesses fundos.
Fundo garantidor já paga os prejudicados
O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) já desembolsou bilhões de reais para ressarcir investidores que aplicaram seus recursos em títulos do Banco Master. A situação evidencia que os danos do esquema investigado ultrapassam os limites do próprio banco e afetam o sistema financeiro de forma mais ampla, ainda que sem caráter sistêmico, segundo as autoridades.
Na primeira fase da operação, a Polícia Federal havia concluído que Vorcaro tentou sair do país enquanto negociava a venda do Banco Master para outra instituição, com rumores de que pretendia se mudar para os Emirados Árabes. Aquele episódio foi determinante para sua prisão inicial. Desta vez, as investigações sugerem que, mesmo em prisão domiciliar, o banqueiro poderia estar articulando pressões, vazamentos e movimentações irregulares de ativos.


