Guilherme Arantes: um artista que se move entre diferentes dimensões

Há 2 horas
Atualizado sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Por Jeffis Carvalho

O primeiro encontro com um som inconfundível

A primeira vez que ouço Guilherme Arantes lá se vão 50 anos. O mesmo tempo de sua estreia que logo me chama a atenção pela sonoridade de seu piano. Um instrumento que ele toca com aquela “batida” característica de quem faz do acompanhamento acústico uma forma de pontuar cada palavra da letra de uma canção. De imediato percebo nele um pouco do Elton John e suas baladas que embalam o que nós chamamos de “hora do amasso” dos bailinhos adolescentes, quase adultos.

No ano de 1976, na tela da TV, a nova novela das 7, ainda em preto-e-branco, é Anjo Mau e conta a ambição e determinação de uma babá. Pelo que me lembre, acho que é a primeira vez que uma vilã é a protagonista de uma história da nossa teledramaturgia, uma ousadia do autor Cassiano Gabus Mendes, um dos pioneiros da TV. Ela se chama Nice e vive uma paixão por Rodrigo, um dos filhos da família na casa em que ela trabalha. Suzana Vieira vive a babá, o papel o lhe garante o estrelato global. Com mais de 10 anos de uma sólida carreira na televisão brasileira, ela rouba a cena na sua novela anterior, quando dá vida à Cândida, a esposa não amada de Antônio Dias, interpretado pelo astro Tarcísio Meira, o principal personagem de Escalada, novela de Lauro Cesar Muniz. O reconhecimento por seu talento, carisma e sucesso junto ao público da novela das 8, lhe dá passaporte para brilhar como protagonista na nova novela da faixa das 19h da Rede Globo.

“Meu mundo e nada mais”: a canção que apresentou Guilherme Arantes ao Brasil

Na trilha sonora da novela o tema de Rodrigo é uma balada de Guilherme Arantes, que assim como Suzana, vira também uma nova estrela – da música brasileira. “Meu Mundo e Nada Mais” entrou pela sala de estar do Brasil inteiro na trilha de Anjo Mau, e ninguém mais esqueceu aquele nome. Da canção na novela para o sucesso de seu primeiro álbum não se passam nem três meses. Batizado com o próprio nome, o disco chega como quem finca uma bandeira e diz: estou aqui.

Em 1980, o álbum Coração Paulista marca um ponto de virada: Elis Regina grava duas de suas músicas, e “Aprendendo a Jogar” torna-se um grande sucesso. No ano seguinte, “Planeta Água” o levo à final do Festival MPB-Shell, consolidando um nome que o Brasil já cantarolava.

Hits, novelas e canções que atravessaram gerações

Nos anos seguintes, emplaca mais hits: “Deixa Chover”, “Fio da Navalha”, “Cheia de Charme” e “Fã Número 1” dominam novelas e rádios, enquanto “Lindo Balão Azul” e “Brincar de Viver” — na voz de Maria Bethânia — atravessam gerações, construídos canção por canção, com a paciência de quem sabe que música boa fica.

Após o enorme sucesso nas décadas de 1970 e 1980, Guilherme Arantes atravessa os anos 1990 em ritmo mais discreto no mainstream, mas sem abandonar a carreira. Lança álbuns com menor repercussão comercial e enfrenta as transformações do mercado fonográfico brasileiro, que vive um momento de reconfiguração com a ascensão do axé, do pagode e do sertanejo. Ainda assim, ele mantém sua base fiel de fãs e continua se apresentando ao vivo, preservando clássicos como “Planeta Água” e “Meu Mundo e Nada Mais” no repertório.

A resistência de um artista fora do tempo

Nos anos 2000 e 2010, Arantes segue em atividade constante, alternando shows, relançamentos e participações especiais, consolidando-se como um nome respeitado da MPB romântica e do pop nacional. A chegada das plataformas digitais e das redes sociais nas décadas de 2010 e 2020 favorece um reencontro de novas gerações com seu trabalho, especialmente por meio de streaming. Já na década de 2020, enfrenta problemas de saúde que impactam sua agenda, mas segue sendo celebrado como um dos grandes compositores e pianistas da música popular brasileira.

Sempre presente no cenário musical, morando um pouco na Espanha e outro tanto no Brasil, Guilherme Arantes, aos 72 anos, lança na segunda semana do ano disco que inaugura simbolicamente as comemorações dos 50 anos de carreira celebrados em 2026.

“Interdimensional”: um disco que olha para frente sem abrir mão da essência

Interdimensional, seu novo álbum de inéditas, que está nas plataformas digitais (e também em mídia física) funciona como uma grande reflexão, um espelho sofisticado de toda a sua trajetória artística. Um trabalho que olha para trás sem nostalgia paralisante, e aponta para frente sem concessões ao algoritmo, às fórmulas de mercado ou às modas passageiras.

Enfim, um disco que assim como Guilherme Arantes, avança de forma consistente, sem nunca perder a sua essência. Em síntese, como diz o seu título o disco pretende transcender os limites de uma única dimensão ou realidade, estabelecendo conexão, movimento ou interação entre diferentes dimensões.

Como a nos dizer, sempre, que o que importa mesmo é o meu, o seu, vários mundos e nada mais.

Para ouvir “Interdimensional” acesse o Spotify e mais plataformas.

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