As bolsas de valores registraram forte queda nesta segunda-feira (23), em meio ao aumento da aversão global a risco provocada por incertezas comerciais nos Estados Unidos, tensões geopolíticas e novos temores sobre os impactos da inteligência artificial na economia. No Brasil, o Ibovespa chegou a renovar recorde intradiário, mas perdeu força e encerrou em baixa, enquanto o dólar fechou em leve queda, no menor patamar em 21 meses.
O ambiente externo foi marcado por pressão nas bolsas de Nova York, que reagiram tanto à escalada nas tensões comerciais quanto a preocupações com a possibilidade de conflito envolvendo Estados Unidos e Irã.
O movimento lá fora contaminou os mercados emergentes e reduziu o apetite por ativos de maior risco.
Ibovespa perde força após recorde
Durante a manhã, o Ibovespa chegou a atingir 191.003 pontos, renovando seu recorde intradiário.
O avanço, porém, foi breve. Com a abertura negativa em Nova York, o índice inverteu o sinal e passou a operar no campo negativo.
Ao fim do pregão, o principal indicador da B3 registrou queda de 0,88%, aos 188.853 pontos, após tocar a mínima de 188.526 pontos.
A pressão veio principalmente das ações de grandes bancos, que sofreram realização de lucros.
O recuo só não foi maior porque papéis da Petrobras e da Vale avançaram e ajudaram a limitar as perdas.
Nova York amplia perdas com temor geopolítico e IA
Nos Estados Unidos, os principais índices acionários encerraram o dia com quedas expressivas.
O Dow Jones Industrial Average caiu 1,66%, aos 48.804,06 pontos.
O S&P 500 recuou 1,04%, aos 6.837,75 pontos.
Já o Nasdaq Composite perdeu 1,13%, aos 22.627,27 pontos.
Além das tensões comerciais envolvendo o presidente Donald Trump, o mercado reagiu a um relatório da Citrini Research que traça um cenário hipotético pessimista para a economia americana em 2028.
O documento levanta a hipótese de que a evolução acelerada da inteligência artificial possa gerar desemprego elevado, consumo fraco e compressão de salários reais.
Embora o relatório ressalte tratar-se apenas de um cenário hipotético, o conteúdo renovou receios e ampliou a liquidação de ações, especialmente nos setores de tecnologia, financeiro e consumo discricionário.
Dólar renova mínima e juros ficam estáveis
Na contramão do exterior, o dólar à vista encerrou o dia em leve queda frente ao real.
A moeda americana recuou 0,14%, cotada a R$ 5,1685, após oscilar entre R$ 5,1392 e R$ 5,1908 ao longo da sessão.
Com o resultado, o dólar atingiu o menor nível em 21 meses.
Operadores atribuíram o movimento a ajustes de posição e a um otimismo remanescente em relação a decisões da Suprema Corte dos Estados Unidos sobre tarifas comerciais.
Já os juros futuros fecharam perto da estabilidade, em um pregão de liquidez reduzida.
As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) oscilaram levemente ao longo da curva, acompanhando a dinâmica do câmbio.
Destaques corporativos
Entre as maiores oscilações do dia, as ações da Vibra lideraram as quedas, com recuo de 4,24%.
Segundo o Itaú BBA, as principais distribuidoras de combustíveis perderam participação nos mercados de diesel e insumos para motores em janeiro.
Os papéis do Santander Units caíram 4,22%, em movimento de realização de lucros no setor bancário.
A Rede D’Or recuou 3,61%, revertendo parte das altas recentes antes da divulgação de seu balanço.
Na ponta positiva, as ações da Raízen subiram 3,33%, enquanto a Telefônica Brasil avançou 2,70%, após apresentar resultados considerados robustos pelo Itaú BBA.
O cenário reforça a sensibilidade dos mercados às incertezas externas e à evolução do quadro geopolítico, que seguem ditando o humor dos investidores.


