Da redação
O novo relator do inquérito do Banco Master no Supremo Tribunal Federal, ministro André Mendonça, se reuniu com delegados da Polícia Federal na tarde desta sexta-feira (13). O encontro aconteceu um dia depois de Mendonça ter sido sorteado para assumir a relatoria do caso, com a saída do ministro Dias Toffoli.
A reunião durou cerca de duas horas e contou com a participação de integrantes do gabinete de Mendonça e do diretor executivo da Polícia Federal, William Marcel Murad. Segundo informações do STF, foi uma reunião geral de alinhamento de procedimentos e para compreender a fase da investigação, que já está em andamento. O encontro marca o início da nova fase do inquérito sob o comando de Mendonça.
Toffoli deixa relatoria após citações em investigação
A troca na relatoria do caso ocorreu após uma reunião com todos os magistrados, convocada pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin, nesta quinta-feira (12). A pressão para a saída de Toffoli do caso aumentou após a PF encaminhar para o STF material com citações ao nome do ministro, encontrado no telefone de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A suspeita de ligação entre a empresa Maridt Participações, da qual Toffoli integra o quadro societário, com o banco também elevou a temperatura. Segundo o próprio ministro, a Maridt é uma empresa familiar dirigida por seus irmãos. A companhia realizou negócios com um fundo gerido pela empresa Reag, vinculada ao Banco Master.
O ponto central dessa relação comercial é o resort de luxo Tayayá, localizado em Ribeirão Claro, no Paraná. De acordo com nota divulgada pelo Supremo logo após a reunião, Toffoli solicitou o envio das ações relacionadas ao Master à presidência da Corte para que fosse promovida a livre redistribuição.
Comunicado oficial contrasta com clima tenso da reunião
O comunicado oficial afirma que a mudança ocorreu “a pedido” do próprio ministro, considerando o bom andamento dos processos e os interesses institucionais do tribunal. Apesar do tom institucional da nota oficial, relatos indicam que Toffoli defendeu sua permanência na relatoria durante encontro com outros ministros.
O clima da reunião foi descrito como tenso, tendo começado com a leitura de relatório entregue pela Polícia Federal a Fachin no início da semana. Após a leitura, Toffoli teria apresentado argumentos em defesa de sua atuação e manifestado intenção de permanecer à frente das investigações.
No entanto, não havia mais ambiente político favorável para a manutenção da sua relatoria. De acordo com relatos, a maioria dos ministros avaliou que a troca seria necessária para conter críticas à Corte e preservar a imagem institucional do Supremo Tribunal Federal.
Ministros pressionam por mudança para preservar imagem do STF
Depois de ouvir os colegas, Toffoli concordou em deixar o caso e não insistiu em continuar na condução dos inquéritos. A decisão foi tomada após ponderações sobre o impacto da permanência do ministro na relatoria para a credibilidade das investigações e da própria Corte.
Desde o início das investigações, a condução do caso por Toffoli vinha sendo alvo de desconforto entre integrantes da Polícia Federal, do Banco Central, do Ministério Público Federal e do próprio Supremo. Entre os pontos mais criticados esteve a decisão de manter lacradas no STF provas obtidas na investigação.
Posteriormente, o ministro reviu a determinação, enviou as informações à Procuradoria-Geral da República e autorizou que os investigadores tivessem acesso aos dados.
Também gerou questionamentos a convocação de uma acareação entre Vorcaro e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília, antes da tomada formal de depoimentos dos dois. A medida foi vista por investigadores como prejudicial à estratégia de coleta de provas e depoimentos no caso.


