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Ministro André Mendonça, do STF e do TSE

Mendonça convoca PF para reunião sobre Banco Master menos de 24 horas após assumir relatoria

Há 8 meses
Atualizado sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Por Carolina Villela

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), convocou para a tarde desta sexta-feira (13) uma reunião com delegados da Polícia Federal que investigam as supostas fraudes financeiras no Banco Master. O encontro acontece menos de 24 horas depois de Mendonça assumir a relatoria do caso, após a saída do ministro Dias Toffoli.

Embora o horário exato e os detalhes do encontro não tenham sido divulgados, a expectativa é que o ministro solicite um balanço completo das investigações conduzidas pela PF e conheça os próximos passos previstos pelos investigadores.

Toffoli deixa relatoria após citações em investigação

A troca na relatoria do caso ocorreu após uma reunião com todos os magistrados, convocada pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin, nesta quinta-feira (12). A pressão para a saída de Toffoli do caso aumentou após a PF encaminhar para o STF material com citações ao nome de Toffoli, encontrado no telefone de Daniel Vorcaro, dono do Master.

A suspeita de ligação entre a empresa Maridt Participações, da qual o ministro integra o quadro societário, com o banco também elevou a temperatura. Segundo o próprio Toffoli, a Maridt é uma empresa familiar dirigida por seus irmãos. A companhia realizou negócios com um fundo gerido pela empresa Reag, vinculada ao Banco Master. O ponto central dessa relação comercial é o resort de luxo Tayayá, localizado em Ribeirão Claro, no Paraná.

De acordo com nota divulgada pelo Supremo logo após a reunião, Toffoli solicitou o envio das ações relacionadas ao Master à presidência da Corte para que fosse promovida a livre redistribuição. O comunicado oficial afirma que a mudança ocorreu “a pedido” do próprio ministro, considerando o bom andamento dos processos e os interesses institucionais do tribunal.

Clima tenso marca reunião que selou saída de Toffoli

Apesar do tom institucional da nota oficial, relatos indicam que Toffoli defendeu sua permanência na relatoria durante encontro com outros ministros. O clima da reunião foi descrito como tenso, tendo começado com a leitura de relatório entregue pela Polícia Federal a Fachin no início da semana.

Após a leitura, Toffoli teria apresentando argumentos em defesa de sua atuação e manifestado intenção de permanecer à frente das investigações. Mas não havia mais clima para a manutenção da sua relatoria.

De acordo com relatos, a maioria dos ministros avaliou que a troca seria necessária para conter críticas à Corte e preservar a imagem institucional. Depois de ouvir os colegas, Toffoli concordou em deixar o caso e não insistiu em continuar na condução dos inquéritos.

Atuação de Toffoli gerou desconforto em instituições

Desde o início das investigações, a condução do caso pelo ministro vinha sendo alvo de desconforto entre integrantes da Polícia Federal, do Banco Central, do Ministério Público Federal e do próprio Supremo. Entre os pontos mais criticados esteve a decisão de manter lacradas no STF provas obtidas na investigação, o que inicialmente impediu o acesso da PF ao material.

Posteriormente, o ministro reviu a determinação, enviou as informações à Procuradoria-Geral da República e autorizou que os investigadores tivessem acesso aos dados. Também gerou questionamentos a convocação de uma acareação entre Vorcaro e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília, antes da tomada formal de depoimentos dos dois.

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