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Sede do CNJ em Brasília

Grupo de trabalho criado pelo CNJ vai aperfeiçoar sistema remuneratório da magistratura

Há 3 meses
Atualizado segunda-feira, 8 de junho de 2026

Da Redação 

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Edson Fachin, instituiu grupo de trabalho destinado a realizar estudos sobre propostas legislativas relacionadas à remuneração da magistratura e os reflexos no aperfeiçoamento do sistema remuneratório do serviço público nacional.

A medida foi formalizada pela Portaria CNJ nº 244/2026 e integra o conjunto de iniciativas adotadas pelo Conselho para dar efetividade às recentes decisões do Supremo Tribunal Federal sobre observância do teto constitucional, transparência remuneratória e uniformização dos pagamentos realizados no âmbito do Poder Judiciário.

Revisões e regulamentações

O grupo terá a atribuição de analisar questões relacionadas à remuneração da magistratura, com foco na uniformização, padronização, transparência e previsibilidade das parcelas remuneratórias, além de propor soluções normativas voltadas à superação de obstáculos identificados na aplicação do sistema constitucional de remuneração.

Entre os temas que deverão ser examinados estão a revisão anual do subsídio da magistratura, a regulamentação de dispositivos constitucionais relacionados ao teto remuneratório e a consolidação de um modelo remuneratório mais claro, estável e coerente para a magistratura nacional.

Enfrentamento de distorções

Na justificativa que acompanha a criação do grupo de trabalho, o ministro Edson Fachin destacou que a iniciativa busca enfrentar distorções acumuladas ao longo dos anos em razão da ausência de uniformidade na aplicação das normas remuneratórias e da multiplicidade de interpretações adotadas pelos diversos órgãos do Poder Judiciário.

Segundo o presidente do CNJ, fatores como a falta de revisão geral anual, a dispersão de centros decisórios administrativos e a adoção de soluções distintas entre os tribunais contribuíram para um cenário de desigualdades, insegurança jurídica e dificuldades de controle. 

Manutenção da coerência do sistema

Em sua avaliação, houve situações em que verbas indenizatórias passaram a ser utilizadas para suprir defasagens remuneratórias, comprometendo a coerência do sistema constitucional. Para o ministro, a criação do grupo de trabalho permitirá reunir e sistematizar os estudos já produzidos sobre a matéria, com o objetivo de construir soluções de longo prazo para o tema.

“Analisar o material já produzido a respeito, consolidar as conclusões apresentadas, sistematizá-las para apontar as especificidades da remuneração da magistratura nacional, contribuindo, ao final, com documentos (legislativos ou não) que possam apontar uma solução de longo prazo para a questão”, afirmou.

180 dias para as atividades

Fachin observou ainda que a iniciativa representa uma etapa importante após a consolidação da tese fixada pelo STF sobre a matéria.“Uma sistematização necessária para a construção do momento que se descortina após a consolidação da tese de repercussão geral aprovada pelo STF em 25 de março passado, focando na superação do período de transição ali mencionado.” 

O grupo terá prazo de 180 dias para concluir as atividades. Durante esse período, serão produzidos estudos técnicos e levantamentos sobre a situação atual da remuneração da magistratura à luz da jurisprudência do STF, da legislação vigente e dos atos normativos editados pelos órgãos de controle do Judiciário.

Diagnóstico, mapa e relatórios

Entre os produtos previstos estão um diagnóstico técnico, normativo e jurisprudencial da matéria, um mapa nacional das parcelas remuneratórias e indenizatórias pagas à magistratura, relatórios periódicos de acompanhamento e a elaboração de anteprojetos legislativos ou notas técnicas destinadas ao aperfeiçoamento do sistema remuneratório.

A criação do grupo de trabalho ocorre em continuidade às medidas adotadas pelo CNJ para fortalecer a transparência e o controle dos pagamentos realizados pelo Poder Judiciário.

Contracheque único nacional

Na última semana, o Conselho aprovou a implementação do contracheque único nacional para magistrados e magistradas, determinando que todas as verbas remuneratórias e indenizatórias passem a ser registradas em documento único e padronizado. A medida busca facilitar a fiscalização do cumprimento do teto constitucional e ampliar a transparência das informações remuneratórias.

As iniciativas decorrem das diretrizes fixadas pelo STF para assegurar maior uniformidade, controle e publicidade dos pagamentos realizados no âmbito do Judiciário brasileiro.

— Com informações do site do STF

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