Fachin pede a diretor da PF que encaminhe todas as menções sobre ministros da Corte achadas nas investigações do caso Master – – –
Pejotização: Justiça reconhece vínculo de gerente em Goiás – – –
Justiça Federal cobra explicações sobre combate a incêndios no Amazonas – – –
TRF 1 anula sanções impostas ao ex-governador de Roraima Flamarion Portela – – –
STJ condena Chesf a indenizar moradores pela construção da barragem de Sobradinho décadas atrás – – –
Governo federal edita MP que determina às operadoras autenticação das chamadas feitas em suas redes – – –
Bicicletas e patinetes elétricos têm novas regras de circulação na capital paulista – – –
TSE determina retirada de post com pessoas drogadas no Chile como se fosse em ato de Lula – – –
PT pede ao TSE registro do canal ‘Exército de Lula’; Nunes Marques autoriza reativação mas funcionamento só 48 horas depois da regularização  – – –
Meta se explica ao TSE, mas respostas são consideradas “genéricas” e “opacas” para especialistas – – –
Sessão do TSE de 13/08/2026

Pela primeira vez TSE cassa parlamentar por violência de gênero contra colega

Há 2 meses
Atualizado quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Por Hylda Cavalcanti

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, durante julgamento realizado nesta quinta-feira (13/08), condenar o vereador José Sebastião Rabello (SDD), do município de Nova Friburgo (RJ), por violência de gênero nas dependências da Câmara Municipal da cidade contra a também vereadora Priscila Teixeira Pitta Muniz (PT).

Na prática, o TSE acolheu um recurso interposto à corte pela vereadora contra decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), que tinha considerado a denúncia improcedente. E, dessa forma, aplicou a primeira condenação por questão de gênero na Corte. O vereador foi condenado a pena de um ano de reclusão, substituída por prestação de serviços à comunidade, além de ter seus direitos políticos suspensos e ser declarado inelegível. 

TRE considerou improcedente

Rebello foi denunciado ao TRE pelo crime previsto no artigo 326-B do Código Eleitoral, mas a corte regional considerou improcedente a ação, por entender que era uma questão de imunidade parlamentar. 

Os desembargadores afirmaram que, “mesmo diante de declarações censuráveis no plano ético, não havia provas suficientes de que o vereador teria agido com o propósito de impedir ou dificultar o desempenho do mandato da vereadora por sua condição de mulher”. O argumento, entretanto, foi derrotado pela maioria dos ministros do TSE nesta manhã. Na avaliação dos magistrados do Tribunal superior, as ofensas foram praticadas no interior da Câmara, caracterizando o crime. 

“Não sei mais o que pode ser”, diz Toffoli

“Se o que foi dito não for considerado crime, não sei mais o que poderá ser. Só se o vereador bater na mulher, para poder ser condenado. Será isso?”, afirmou o relator do recurso no TSE, ministro Dias Toffoli, ao falar sobre o caso.

De acordo com Toffoli, o vereador submeteu Priscila Teixeira Pitta Muniz a constrangimentos, humilhações e ameaças, valendo-se de “menosprezo, menoscabo e discriminação em razão de seu gênero, com o propósito de impedir ou dificultar o pleno exercício de seu mandato eletivo”. 

“Inconsistência de argumentos”

Toffoli também acrescentou no seu voto que o presidente do TRE-RJ, ao fundamentar sua decisão, entendeu que as referências à resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), à Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres e à Convenção de Belém do Pará, sem uma argumentação consistente sobre eventual violação aos tratados, não seriam suficientes para admitir o recurso. 

O ministro explicou que o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero também não permite afastar os limites que impedem uma nova análise dos fatos e das provas. Ele também destacou parecer do Ministério Público Eleitoral (MPE), segundo o qual os requisitos para a análise do caso foram atendidos. 

“Da análise da moldura fática e jurídica contida nos votos proferidos que compõem o acórdão do TRE do Rio de Janeiro, é possível extrair a exata dimensão do ocorrido e a roupagem jurídica apresentada pelo Regional, não sendo necessária nenhuma reanálise de provas”, enfatizou o magistrado.  

Decisão histórica

Antes de proclamar a decisão do caso, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, parabenizou o ministro Dias Toffoli pelo voto e afirmou que o julgamento foi uma decisão histórica.

“Esse foi um marco histórico para o Tribunal Superior Eleitoral e uma oportunidade que tivemos de dar concretude a tudo que se proclama, tudo o que se construiu em torno do combate à violência política de gênero”, destacou.

Resolução 492 do CNJ

Ao falar que o Brasil ocupa uma das piores posições no mundo em relação à presença de mulheres no Parlamento, comparativamente, Toffoli frisou que é preciso reconhecer as especificidades e os desafios enfrentados por mulheres ao acessar o ambiente político. “Um ambiente político historicamente dominado por homens, o que as coloca em nítida desvantagem estrutural”, acrescentou. 

A Resolução CNJ nº 492/2023, especialmente no que toca ao objetivo de alcançar a igualdade de gênero e o empoderamento de todas as mulheres e meninas, previsto na Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), estabelece diretrizes para a adoção da perspectiva de gênero nos julgamentos do Poder Judiciário. O recurso julgado foi o Agravo em Recurso Especial Eleitoral Nº 0600015-33.2022.6.19.0026. Detalhes sobre a peça jurídica ainda não foram disponibilizados pelo Tribunal

— Com informações do TSE

Autor

Leia mais

Fachin pede a diretor da PF que encaminhe todas as menções sobre ministros da Corte achadas nas investigações do caso Master

Há 12 horas
Martelo e balança símbolos da Justiça

Pejotização: Justiça reconhece vínculo de gerente em Goiás

Há 12 horas

Justiça Federal cobra explicações sobre combate a incêndios no Amazonas

Há 13 horas
Sede do TRF 1

TRF 1 anula sanções impostas ao ex-governador de Roraima Flamarion Portela

Há 13 horas
Vista aérea da Barragem de Sobradinho, na Bahia

STJ condena Chesf a indenizar moradores pela construção da barragem de Sobradinho décadas atrás

Há 13 horas
Mão de pessoa segurando celular que aponta ligação suspeita de spam

Governo federal edita MP que determina às operadoras autenticação das chamadas feitas em suas redes

Há 14 horas