Da Redação
Uma motorista de 78 anos, que dirigia um BMW e atingiu o carro de uma família no interior do Paraná, foi condenada na esfera cível a pagar uma indenização milionária aos pais do adolescente que morreu no acidente. A decisão, tomada por um juiz da Vara Cível de Peabiru, também prevê o pagamento de despesas médicas e funerárias. Na esfera criminal, o caso ainda vai a julgamento popular, mas a defesa da ré recorreu e espera uma nova decisão.
Como aconteceu o acidente
A colisão ocorreu em novembro de 2024, na rodovia PR-558, próxima a Campo Mourão, no centro-oeste paranaense. Segundo relatos, o carro em que o adolescente e o pai estavam foi atingido de frente pelo veículo de luxo, que trafegava na contramão. O impacto foi tão forte que o motor do BMW se soltou e o carro começou a pegar fogo às margens da via.
O adolescente, que tinha 14 anos, não resistiu aos ferimentos. Pai e filho retornavam de Campo Mourão, cidade onde o jovem havia feito uma prova para tentar uma vaga em curso técnico de uma universidade federal. De acordo com o relato do pai, o filho estava otimista com o resultado da prova momentos antes da tragédia.
O que motivou a condenação
Ao analisar o caso, a Justiça se baseou em laudos periciais e em um parecer técnico solicitado pela família da vítima. Os documentos indicaram que o veículo de luxo estava a uma velocidade muito superior ao limite da via — bem acima dos 80 km/h permitidos no trecho. Também foram identificados sinais de que a motorista poderia estar sob efeito de álcool no momento da batida, além do fato de sua habilitação estar suspensa por acúmulo de infrações graves.
A defesa da motorista tentou sustentar que ela teria sido ofuscada pela claridade do sol em uma curva da estrada, mas essa versão não foi aceita pelo magistrado, que apontou inconsistências no argumento e destacou que testemunhas contradisseram a explicação apresentada.
Valores da indenização e pontos negados pela Justiça
A sentença determinou o pagamento de um valor superior a R$ 2 milhões por danos morais, a ser dividido entre o pai e a mãe do adolescente. Além disso, a motorista deverá arcar com mais de R$ 31 mil referentes a gastos hospitalares e com o funeral do jovem.
Por outro lado, o juiz não acolheu alguns pedidos feitos pela família, como pensão vitalícia e cobertura de tratamento psicológico e psiquiátrico. O entendimento foi de que esses pedidos não se aplicavam ao caso, já que a família não dependia financeiramente do adolescente.
E na esfera criminal, o que muda?
Enquanto a ação cível já tem uma decisão, o processo criminal segue em andamento. A Justiça determinou que a motorista seja julgada por um júri popular, mas a defesa apresentou recurso contra essa decisão e aguarda um novo posicionamento. O advogado da motorista não comentou o resultado do processo cível.
Já o advogado da família da vítima informou que a sentença ainda passará por uma análise técnica mais detalhada, podendo ser alvo de recursos para esclarecer possíveis pontos de omissão ou contradição. Ele também mencionou que há conversas em curso entre as partes sobre um possível acordo.