Por Hylda Cavalcanti
Utilizando um samba clássico de Jorge Aragão, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) lançou, nesta segunda-feira (17/08), uma nova campanha com o objetivo de valorizar o protagonismo da população nas eleições deste ano. Na prática, o tema inspira iniciativa para humanizar o voto e exaltar a urna eletrônica como patrimônio“.
É o povo quem produz o show e assina a direção.” O verso icônico de ‘Coisa de Pele’, clássico do samba composto por Aragão, em 1986, foi o tema adotado pela Justiça na campanha institucional. Idealizada sob as diretrizes do TSE, a estratégia busca afastar a sobriedade burocrática e adotar o tom caloroso da brasilidade.
Cultura popular em destaque
As peças retratam a cultura popular, com a meta de fortalecer o sentimento de pertencimento sobre o destino político do Brasil. “A ideia central é mostrar para toda a sociedade que a democracia não é apenas um conceito abstrato”, destacou o presidente do TSE.
“Quando uma pessoa participa, quando se informa, quando respeita as diferenças e, sobretudo, quando exerce livremente o direito de escolher seus representantes, temos a democracia em movimento, viva e concreta”, acrescentou o ministro.
Cotidiano do trabalhador, estudante e idoso
De acordo com ele, o foco narrativo e visual desloca-se para o cotidiano do trabalhador, do estudante, do idoso e das periferias. E a mensagem central é direta: “a política não é feita pelos outros”.
“É o eleitor quem comanda a atração principal. A ideia é reforçar o orgulho democrático pela via dos nossos afetos e da nossa identidade cultural, mostrando que a urna eletrônica e o voto são instrumentos de soberania popular”, enfatizou Nunes Marques.
Narrativa audiovisual
Informações de técnicos do TSE são de que a letra de Aragão, cujos direitos autorais foram cedidos gratuitamente pelo compositor, funciona como a espinha dorsal de toda a narrativa audiovisual. Cada trecho da música foi correlacionado a eixos fundamentais do processo eleitoral.
“Transmitir essa mensagem de maneira cristalina não é fácil, mas é um trabalho que já foi feito por nossos poetas. Assim, buscamos, na música popular brasileira, uma canção capaz de atravessar gerações”, destacou o ministro.
“Encontramos, na obra de Jorge Aragão, a canção perfeita. Jorge é um dos grandes nomes da música brasileira, amigo de longa data e, quando soube do nosso interesse, prontamente cedeu sua arte para conclamar o povo brasileiro para votar”, acrescentou o ministro.
Tendência do Brasil core
A campanha aborda a ancestralidade e a memória das lutas históricas contra as opressões; a máxima constitucional de que todo o poder emana do cidadão. A estética, por sua vez, aposta na tendência do Brasilcore, movimento visual que exalta as cores, texturas e expressões cotidianas do país, e imprime uma atmosfera vibrante e emocional nas peças publicitárias.
O materia consiste em um filme principal de 60 segundos (com versão reduzida de 30 segundos para plataformas digitais) e 16 spots de rádio, acompanhados de cartazes institucionais.
15 filmetes informativos
Paralelamente, a comunicação produziu 15 filmetes informativos, adaptados em ritmo de samba, que detalham os aspectos práticos do pleito ao longo do calendário eleitoral. Um dos destaques da regionalização do material é a tradução dos informativos sobre transporte e diretrizes de votação para as línguas originárias, direcionados especificamente ao eleitorado indígena.
A campanha atende à Resolução nº 22.657/2007 e ao artigo 93 da Lei das Eleições (Lei nº 9.504/97), que preveem difusão em cadeia obrigatória de rádio e televisão, além de presença nas redes digitais, por parte da Justiça Eleitoral.
— Com informações do TSE