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GAECO denuncia  23 pessoas por corrupção na Polícia Civil de SP

Há 6 meses
Atualizado terça-feira, 28 de abril de 2026

Da Redação

O GAECO, braço do Ministério Público de São Paulo especializado no combate ao crime organizado apresentou nesta segunda-feira, 27, denúncia contra 23 pessoas — policiais civis, advogados, intermediários e operadores financeiros ilegais — por integrarem um esquema criminoso que durou ao menos quatro anos na capital. As acusações incluem associação criminosa, corrupção ativa e passiva e fraude processual.

Entre os denunciados estão policiais civis, advogados, intermediários e operadores financeiros ilegais. O caso é resultado da Operação Bazaar, deflagrada pela Polícia Federal em março de 2026. A investigação revelou que o grupo pagou ao menos R$ 33 milhões em propinas ao longo de quatro anos para garantir que investigações sobre lavagem de dinheiro fossem engavetadas ou sabotadas. O dinheiro circulava por empresas de fachada e movimentava quantias bilionárias em diferentes esquemas financeiros ilícitos.

O grupo, já no radar da Polícia Federal por suspeitas de lavagem de dinheiro, teria criado uma rede de corrupção dentro da própria Polícia Civil paulista, infiltrando-se em unidades como o DEIC, o DPPC e o 16º Distrito Policial. A meta era simples: garantir que as atividades do bando continuassem sem interferência. Para isso, o esquema movimentava bilhões por meio de empresas fantasmas, fuga ilegal de divisas e uso fraudulento de cartões de alimentação, entre outros artifícios.

Como funcionava o esquema

O grupo criminoso estabeleceu uma espécie de tabela de preços para comprar a omissão de policiais. No 16º Distrito Policial, os valores pagos variaram entre R$ 700 mil e R$ 5 milhões. Na Divisão de Crimes Cibernéticos do DEIC, a propina chegou a R$ 300 mil. Já nas delegacias especializadas em crimes contra a fazenda pública e combate à corrupção — ambas ligadas ao DPPC —, os repasses ultrapassaram R$ 200 mil.

Os primeiros registros de pagamentos datam de agosto de 2020. O esquema continuou funcionando mesmo depois de operações realizadas pela Polícia Federal e pela Receita Federal, o que indica que os envolvidos sentiam segurança suficiente para manter as práticas ilícitas.

Provas destruídas e investigações manipuladas

Além do pagamento de propinas, os acusados também interferiram ativamente nas apurações. Documentos foram retirados ilegalmente, dispositivos eletrônicos apreendidos foram substituídos e relatórios de inteligência financeira do COAF foram utilizados de forma irregular — não para investigar, mas para proteger o grupo.

Segundo o GAECO, os policiais envolvidos transformavam apurações preliminares e informais em verdadeiros “balcões de negócios”. Ao agir fora do controle formal do inquérito policial, conseguiam negociar impunidade sem deixar rastros evidentes nos registros oficiais.

Quem são os denunciados

Dos 23 acusados, nove são policiais civis que atuavam no DEIC, no DPPC e no 35º Distrito Policial, no Jabaquara. Os demais são operadores financeiros ilícitos, advogados e intermediários que faziam a ponte entre o grupo criminoso e os agentes públicos corrompidos.

Um 24º investigado, um advogado, fechou acordo de não persecução penal com o MP. Os promotores entenderam que sua participação teria sido isolada e que ele não fazia parte do núcleo da associação criminosa.

O que o MP pediu à Justiça

Para os já presos, o Ministério Público pediu a manutenção das prisões preventivas. Para os demais, solicitou medidas como proibição de sair da comarca, recolhimento noturno, uso de tornozeleira eletrônica, entrega de passaporte, pagamento de fiança de R$ 50 mil e suspensão do exercício de função pública.

O MP também requereu o bloqueio de até R$ 5 milhões em bens por policial denunciado — e de R$ 35 milhões no total contra sete acusados — para garantir o ressarcimento de eventuais danos em caso de condenação. Além disso, os promotores pediram reparação por dano moral coletivo, argumentando que a corrupção dentro das próprias estruturas investigativas abala a confiança da sociedade nas instituições de segurança pública.

Investigação continua

O caso é um desdobramento da Operação Recidere, conduzida pela Polícia Federal, que compartilhou provas com o GAECO. Novas investigações estão previstas para apurar outras condutas identificadas ao longo do trabalho — incluindo a possível participação de mais policiais e operadores financeiros ainda não identificados.

O impacto do esquema foi tão significativo que, segundo o GAECO, os fatos apurados chegaram a influenciar a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal em um recurso extraordinário com repercussão geral julgado em março de 2026.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que a “Corregedoria da Polícia Civil acompanha e colabora com as investigações do Ministério Público”. “A Polícia Civil reafirma que não compactua com desvios de conduta por parte de seus integrantes. Todas as medidas legais e disciplinares cabíveis serão adotadas caso sejam confirmadas quaisquer irregularidades.”

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