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fachada do prédio do TCU

TCU libera penduricalhos acima do teto para servidores do Congresso e da própria Corte

Há 3 meses
Atualizado quinta-feira, 16 de julho de 2026

Da Redação

O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu, na sessão plenária de quarta-feira (15), permitir que determinadas gratificações pagas pelo exercício de cargos de direção, chefia e funções de confiança fiquem fora da incidência do teto constitucional. A medida alcança servidores da Câmara dos Deputados, do Senado Federal e do próprio TCU.

O julgamento terminou com placar de oito votos a um e representou uma mudança em relação ao entendimento defendido pela área técnica do Tribunal e pelo relator do processo. Com isso, servidores que já recebem o limite remuneratório poderão acumular, em determinadas hipóteses, a remuneração correspondente às funções de confiança.

A decisão ainda aguarda a publicação do acórdão, documento que trará a fundamentação completa adotada pela maioria do colegiado e os limites fixados para sua aplicação.

Maioria acompanhou divergência aberta pelo presidente da Corte

O processo teve origem em representação apresentada pelo Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo Federal e do Tribunal de Contas da União (Sindilegis), que sustentou que a aplicação do teto constitucional acabava esvaziando a remuneração adicional prevista para quem assume funções de maior responsabilidade.

O relator, ministro Walton Alencar Rodrigues, votou pelo não conhecimento da representação e afirmou que, mesmo se o mérito fosse analisado, as gratificações deveriam permanecer submetidas ao teto remuneratório previsto na Constituição.

A posição, porém, foi vencida após a divergência inaugurada pelo presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo. Para ele, a situação exigia solução para evitar distorções na remuneração de servidores que exercem funções de direção, entendimento que acabou prevalecendo entre a maioria dos ministros.

Área técnica defendia rejeição do pedido

Antes do julgamento, a unidade técnica do próprio Tribunal havia recomendado que o pedido fosse rejeitado. O parecer apontava que o sindicato não teria legitimidade para provocar esse tipo de discussão e defendia que eventual mudança dependeria de alteração na legislação.

Os técnicos também sustentaram que a Constituição estabelece o teto remuneratório como regra geral para a remuneração de agentes públicos, razão pela qual não haveria espaço para afastar sua incidência nas hipóteses discutidas no processo.

Apesar dessa manifestação, o colegiado optou por seguir entendimento diverso. A corrente vencedora citou precedentes do Supremo Tribunal Federal que, em situações específicas, admitem tratamento diferenciado para parcelas vinculadas ao exercício de novas atribuições.

Julgamento amplia debate sobre verbas extrateto

A decisão do TCU ocorre em um momento de intenso debate nacional sobre os chamados “penduricalhos” e os limites do teto constitucional no serviço público. O tema voltou ao centro das discussões após recentes julgamentos do Supremo Tribunal Federal sobre verbas indenizatórias e remunerações pagas acima do limite previsto na Constituição.

Embora o TCU tenha autorizado o pagamento das gratificações fora do teto para os servidores alcançados pela decisão, especialistas aguardam a publicação do acórdão para avaliar o alcance exato do entendimento e seus possíveis reflexos sobre outros órgãos públicos.

O julgamento também poderá servir de referência para novas discussões administrativas e judiciais envolvendo remuneração de servidores, sobretudo diante da necessidade de compatibilizar a valorização de funções de gestão com o regime constitucional do teto remuneratório.

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