Por Hylda Cavalcanti
O Ministério Público do Trabalho (MPT) divulgou neste sábado (29/08) que recebeu 223 denúncias de assédio eleitoral no ambiente de trabalho este ano, conforme balanço atualizado até a noite da última sexta-feira (28/08). O mês de Agosto, ainda em andamento, concentra 95 registros, 42,6% do total e mais que o dobro dos 46 contabilizados em julho. Entre os três estados com maior número de casos denunciados até agora figuram São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco.
Conforme a apuração do MPT, São Paulo lidera em números absolutos, com 29 denúncias, seguido por Rio de Janeiro, com 21. Pernambuco tem 14 denúncias. Já os estados de Minas Gerais e Pará figuram juntos em quarto lugar: tiveram 13 denúncias apresentadas cada um.
Comparação com pleitos anteriores
A comparação com eleições anteriores também mostra aumento das denúncias. De janeiro a julho deste ano, a base atualizada reúne 128 registros: 25,5% acima dos 102 recebidos no mesmo período de 2024 e 16 vezes os oito de 2022.
De acordo com os dados levantados pelo MPT, o aumento do número de casos do tipo registrados até agora coincide com o início da campanha eleitoral, no último dia 16, quando passou a ser permitido pedir votos e fazer propaganda nas ruas e na internet, respeitadas as regras eleitorais.
Antes dessa data, os pré-candidatos já podiam apresentar propostas e buscar apoio político, mas sem pedido explícito de voto.
Tipos e formas de pressão
Para o procurador-geral do Trabalho, Gláucio Araújo de Oliveira, a maior articulação entre os órgãos e a facilidade para comunicar irregularidades ajudam a explicar o crescimento das denúncias, mas é esperado também um aumento de denúncias em razão do acirramento do pleito deste ano.
“As eleições presidenciais têm uma polarização maior do que as municipais, então, a tendência é que esse ano a nossa atuação seja mais intensa do que nas últimas eleições”, afirmou.
Segundo ele, dentre as formas de pressão estão promessas de aumento salarial em troca de voto e ameaças de demissão. No serviço público, a escolha política também pode virar alvo de ameaças de exoneração ou perda de gratificações, ressaltou o procurador.
O procurador orienta as pessoas que forem vítimas de assédio a encaminharem denúncias para o canal de assédio eleitoral do MPT, o que pode ser feito de forma anônima ou com pedido de sigilo da identidade.
— Com Agências de Notícias