Da Redação
Fase de coleta de provas terminou na última quinta-feira (24/9); trio é acusado de matar três pacientes do Hospital Anchieta, em Taguatinga
A Justiça do Distrito Federal deve decidir nos próximos dias se os técnicos de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva serão levados a júri popular pelas mortes de três pacientes na UTI do Hospital Anchieta, em Taguatinga.
A fase de instrução, etapa em que são reunidas provas e ouvidas testemunhas, terminou na quinta-feira (24/9). Com as alegações finais apresentadas, cabe agora ao juiz avaliar se há base legal para submeter o trio ao Tribunal do Júri.
Quatro caminhos possíveis para o processo
O magistrado pode pronunciar os réus (mandá-los a julgamento perante o júri), se entender que há prova da ocorrência dos crimes e indícios suficientes de autoria. Nesse caso, os três técnicos seriam julgados por um júri popular em Taguatinga.
Outra possibilidade é a impronúncia, adotada quando faltam provas de autoria ou de materialidade. O processo seria encerrado, mas poderia ser reaberto caso surjam novos elementos contra os acusados.
O juiz também pode desclassificar a acusação de homicídio doloso para outro crime, como lesão corporal seguida de morte, retirando o caso do júri. Há ainda a absolvição sumária, que encerraria a ação antes do julgamento.
Acusados negaram participação nas mortes
Mais de 32 testemunhas foram ouvidas entre o fim de maio e o início de junho. Os três técnicos depuseram por último, e nenhum deles admitiu envolvimento nas mortes.
Marcos Vinícius relatou o contato que teve com as vítimas e afirmou que elas apresentaram piora no quadro de saúde. Marcela chorou ao dizer que não sabia o que havia acontecido e que confiava no treinamento do colega.
Questionada se Marcos teria usado sua presença para agir sem ser descoberto, ela respondeu que sim. “Fiquei muito nervosa quando fui para a delegacia. Não sabia o motivo e ninguém me explicava”, declarou Marcela em juízo, segundo o Metrópoles.
Amanda disse que esperava que Marcos assumisse a responsabilidade e isentasse as colegas. Em depoimento relatado pelo Metrópoles, ela afirmou: “Sou ameaçada de morte no presídio e falam que vão fazer comigo o que foi feito com as vítimas.”
Imagens de câmeras embasaram a denúncia
Gravações das câmeras de segurança do hospital, divulgadas pelo Metrópoles, foram centrais para a acusação. Elas mostram Marcos Vinícius, de 24 anos, prescrevendo uma substância com o login de uma médica que não estava de plantão.
As imagens registram ainda o técnico retirando o medicamento na farmácia e aplicando injeções intravenosas nos pacientes. Marcela, de 22 anos, aparece em outra gravação manuseando a substância, envolta em um pacote laranja.
Em 12 de março, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) denunciou o trio por homicídio doloso e por cinco tentativas de homicídio. Em caso de condenação, a pena pode variar de 12 a 30 anos por morte.
Hospital identificou padrão nos óbitos
O próprio Hospital Anchieta acionou a polícia após estranhar as mortes e notar semelhanças entre os casos. A Polícia Civil deflagrou a Operação Anúbis em 11 de janeiro, e o caso veio a público no dia 19.
Segundo a investigação, Marcos Vinícius aplicava altas doses de medicamentos que provocavam parada cardíaca, enquanto Amanda, de 28 anos, e Marcela davam cobertura. Os três estão presos desde 12 de janeiro.
Quem eram as vítimas
João Clemente Pereira, 63 anos, servidor da Caesb, morreu em 18 de novembro de 2025. Marcos Moreira, 33, servidor dos Correios, morreu em 1º de dezembro. A terceira vítima foi a professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, 75.
Informações com Agências de Notícias.