Da Redação
A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia contra o advogado Marcos Roberto Cebola e Silva, acusado pelo Ministério Público de tentar intimidar um juiz durante uma audiência que discutia pedidos de prisão preventiva de investigados por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Com a decisão, tomada em 22 de setembro, o advogado passa a responder por coação no curso do processo.
O episódio ocorreu durante uma sessão remota conduzida pelo juiz Deyvison Heberth dos Reis. Entre as pessoas alcançadas pelos pedidos analisados estava uma cliente do advogado. Segundo a acusação, Cebola buscou pressionar o magistrado para que as prisões fossem revistas.
Referência ao “Elísio”
A audiência estava sendo gravada. E em determinado momento, ao se dirigir ao juiz, o advogado fez referência ao “Elísio”, expressão que depois explicou significar paraíso. “Diante do que se apurou hoje, com a devida vênia, pela graça de Deus, sob a proteção de Deus, se o senhor não revogar essas prisões, eu temo o senhor não adentrar ao ‘Elísio'”, afirmou.
Para o Ministério Público, a fala teve caráter de ameaça e integrou uma conduta que se tornou mais hostil ao longo da sessão. A denúncia também menciona que o advogado teria citado o ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes, morto a tiros em uma emboscada em Praia Grande e conhecido pela atuação em operações contra o PCC.
Tentativa de constranger o magistrado
Na avaliação dos promotores, as manifestações tinham como objetivo interferir na decisão judicial e beneficiar os investigados alcançados pelas prisões preventivas. “O denunciado pretendia constranger o magistrado a reconsiderar as prisões preventivas e determinar a soltura de sua cliente e dos demais acusados, favorecendo-lhes interesse processsual”, ressaltou a peça jurídica do MP.
O advogado negou ter ameaçado o juiz. Ao explicar a declaração, afirmou que “todo mundo vai morrer um dia”. Reis, por sua vez, disse que nunca havia ouvido manifestação semelhante ao longo de duas décadas de atuação, inclusive em processos envolvendo integrantes do PCC.
Com o recebimento da denúncia, Cebola também ficou sujeito a restrições enquanto o processo tramita. Ele não pode manter contato com o magistrado nem se aproximar dele e está impedido de utilizar redes sociais ou outros meios eletrônicos para fazer ameaças contra Reis. O advogado também deverá informar eventuais mudanças de endereço à Justiça.
— Com Agências de Notícias