Da Redação
Um dia depois de anunciar a intenção de mudar a Constituição Federal, o senador Flávio Bolsonaro (PL), que disputa o segundo turno das eleições presidenciais com o presidente Lula (PT) mudou de posição, diante da repercussão negativa das suas declarações.
O senador afirmou que as alterações sugeridas por ele “envolvem uma reforma no Judiciário, assim como temas como redução da maioridade penal, modificações na reforma tributária e o fim da reeleição”.
“Têm várias PECs [Propostas de Emenda à Constituição] possíveis. Tem que haver uma reforma do Judiciário. Sou a favor da diminuição da maioridade penal, tem que ser por PEC. Tem pontos da reforma tributária que têm de ser alterados por PEC. O fim da reeleição também tem que ser por PEC, e é o Congresso que vai decidir se são quatro ou cinco anos, se vai valer para governador e presidente”, justificou.
“Especulação” de campanha
Flávio também disse, em tom de recuo, que qualquer alegação além dos temas tratados consistem em especulação. “Ouvi gente dizendo que agora, com maioria, Flávio vai fazer o que o pai não tez. Vamos parar de mentir”, destacou.
O problema é que a fala do presidenciável está registrada de várias formas, inclusive por vídeos. Na última terça-feira (06/10), em Goiânia, onde recebeu o apoio do ex-governador do estado Ronaldo Caiado (PSD), o senador afirmou textualmente que usaria a maioria conquistada no Congresso para “mudar a Constituição e redemocratizar o país”.
“O Brasil já me deu um Congresso muito mais à direita do que ele é hoje, com maioria no Senado para fazer o presidente do Senado, com maioria na Câmara para fazer o presidente da Câmara”, frisou ele. “Para a gente mudar a Constituição, redemocratizar este país, para as instituições voltarem a respeitar a Constituição”, acrescentou o presidenciável.
Atuação “ponderada”, se eleito
Na internet, a fala repercutiu negativamente e levou eleitores contrários à sua candidatura a levantaram a possibilidade de ele estar planejando medidas autoritárias ou de supressão de direitos sociais para o país.
O senador destacou, ao mudar sua opinião, que se eleito terá uma atuação ponderada, respeitando a Constituição e “honrando e respeitando cada segmento da sociedade”. Segundo ele, o processo legislativo será respeitado em todos os casos. “A maioria é quem vai decidir a reforma política que tem que ser feita”, acrescentou.
— Com Agências de Notícias