Da Redação
O juiz Gustavo de Castro Campos, de 45 anos, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), foi encontrado morto na noite de quarta-feira (7/10), dentro de um carro incendiado em uma estrada rural de São João da Boa Vista, no interior paulista.
O magistrado atuava na comarca de Mococa e tinha passagem pela advocacia, pela Polícia Civil e pela magistratura do Espírito Santo. A morte foi registrada como suspeita e está sendo investigada pela Polícia Civil paulista, que ainda não esclareceu as circunstâncias do ocorrido.
O veículo, um Volvo, foi localizado por volta das 19h15, nas proximidades da Fazenda Aliança, na Estrada Euclides Dotta. Trabalhadores rurais encontraram o automóvel em chamas e utilizaram uma retroescavadeira para lançar terra sobre ele e conter o incêndio.
Segundo os relatos divulgados, a fumaça impediu que percebessem inicialmente a presença de uma pessoa dentro do carro.
Galão de combustível estava próximo aos pedais
Equipes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros foram acionadas e encontraram o corpo parcialmente carbonizado no banco do motorista. A identificação foi possível por meio de documentos pessoais e de uma tatuagem localizada no abdômen do magistrado.
De acordo com informações do boletim de ocorrência divulgadas pela CNN Brasil e pela Itatiaia, a avaliação preliminar não identificou ferimentos aparentes provocados por armas de fogo ou armas brancas. Os policiais encontraram um galão com forte odor de gasolina próximo aos pedais do veículo.
A carteira do juiz permaneceu no automóvel, e sua aliança continuava no dedo. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML) de São João da Boa Vista, onde foram requisitados exames para auxiliar na identificação da causa da morte.
Polícia busca esclarecer circunstâncias do incêndio
A investigação ficou a cargo da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de São João da Boa Vista. A Polícia Civil requisitou exames periciais e deverá analisar imagens e ouvir testemunhas para reconstituir os acontecimentos anteriores à localização do veículo.
O registro inicial da ocorrência como morte suspeita não estabelece se houve crime ou outra circunstância responsável pelo óbito. Até a manhã desta quinta-feira (8/10), não havia sido divulgada conclusão oficial sobre a origem do incêndio nem sobre a causa da morte.
Segundo o UOL, nenhuma prisão relacionada ao episódio havia sido registrada até aquele momento. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo foi procurada por veículos de imprensa para prestar esclarecimentos sobre a investigação.
Carreira na magistratura paulista
Gustavo de Castro Campos era formado em Direito pelo Centro Universitário Braz Cubas e possuía duas especializações. Antes de ingressar na magistratura, trabalhou como advogado por aproximadamente dez anos e exerceu o cargo de delegado da Polícia Civil do Espírito Santo. Também atuou como juiz substituto naquele estado.
No Judiciário paulista, passou por comarcas do interior, entre elas Tambaú, Leme e Mococa. Documentos oficiais do TJSP identificam o magistrado como titular da 2ª Vara de Mococa, unidade com competência para julgar processos cíveis e outras matérias previstas na organização judiciária estadual.
O magistrado também exerceu a função de diretor do Fórum de Porto Ferreira e participou de atividades institucionais voltadas à ampliação dos serviços judiciários. Entre elas, a implantação do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc), destinado à realização de conciliações e mediações.
Órgão Especial arquivou acusação contra magistrado
Em 2022, Gustavo de Castro Campos foi alvo de uma acusação de ofensa à honra de um advogado, decorrente de um desentendimento durante uma audiência. O episódio foi submetido ao Órgão Especial do TJSP, responsável, entre outras atribuições, pelo exame de determinadas questões envolvendo magistrados.
Conforme informações publicadas pelo site jurídico Migalhas, o colegiado considerou insuficientes os elementos apresentados contra o juiz e determinou o arquivamento da acusação.
O episódio integra o histórico funcional do magistrado, mas não foi relacionado pela polícia à investigação de sua morte.
Até a manhã desta quinta-feira, o Tribunal de Justiça de São Paulo não havia divulgado manifestação oficial sobre o falecimento. A investigação prossegue sob responsabilidade da Polícia Civil, que aguarda os resultados dos exames periciais para esclarecer as circunstâncias em que o magistrado foi encontrado morto.