Da Redação
O ministro-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, informou na noite desta quarta-feira (07/10) que determinou à Procuradoria-Geral Federal a instalação de uma comissão para atuar nas investigações sobre o incêndio de grandes proporções que atingiu um prédio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), na Zona Oeste do Recife, na noite de ontem.
Tratou-se do terceiro caso registrado na universidade pernambucana em uma semana. O incêndio atingiu a Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine), que também abriga diversos laboratórios científicos. A causA não foi divulgada. Não há registro oficial de vítimas. A previsão inicial é de que diversas amostras que estavam sendo utilizadas para pesquisas científicas tenham sido destruídas.
De acordo com o reitor da UFPE, Alfredo Gomes, no prédio funcionam diversos laboratórios, ligados a farmácias, informática e computação. “Perdemos completamente todos os equipamentos, estimados em aproximadamente R$ 100 milhões”, disse.
Investigação rigorosa
Messias cobrou uma investigação rigorosa sobre a causa do incêndio e também expressou solidariedade à comunidade acadêmica da UFPE. “Expresso minha total solidariedade à comunidade acadêmica da UFPE, minha alma mater, e espero que o ocorrido seja objeto de uma investigação rigorosa”, afirmou o ministro.
“Determinei à Procuradoria-Geral Federal que designe uma comissão de procuradores para acompanhar as apurações e adotar, se necessário, as providências legais cabíveis”, escreveu Messias na rede social X (antigo Twitter)..
Materiais e projetos de pesquisa destruídos
O prédio abrigava materiais e projetos de pesquisa da universidade, incluindo estudos relacionados a câncer, obesidade, Covid-19, TDAH e autismo. Também havia trabalhos de estudantes de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado.
As causas do incêndio e a extensão dos danos ainda não foram esclarecidas. Portanto, não há confirmação de que o fogo tenha relação com os acontecimentos políticos registrados no campus nos últimos dias. O caso desta quarta-feira é o terceiro incêndio registrado na UFPE em um curto período.
Em 30 de setembro, um laboratório do Departamento de Física foi atingido pelas chamas. Segundo informações divulgadas pela universidade, ninguém ficou ferido e a suspeita inicial era de que o fogo tivesse começado em um equipamento utilizado para aquecer substâncias.
Ameaças explícitas aos estudantes
Vários estudantes da UFPE receberam ameaças explícitas contra setores da instituição, incluindo uma que falava em “explodir o departamento” em nome de Flávio Bolsonaro, horas antes do incêndio dessa quarta-feira.
A sequência dos acontecimentos elevou a preocupação entre alunos e integrantes da comunidade acadêmica, especialmente porque a UFPE tem sido palco de grandes manifestações estudantis em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e contra a candidatura de Flávio Bolsonaro. Não há, até o momento, confirmação de que as ameaças tenham qualquer relação com o incêndio.
Caso gravíssimo, diz deputado eleito
O caso foi denunciado também pelo deputado federal eleito Jones Manoel (PSOL-PE), que publicou imagens do incêndio e relatou ter recebido informações sobre as mensagens enviadas a estudantes pouco antes do episódio.
“Horas antes, alunos receberam mensagens com ameaças explícitas contra setores da UFPE, inclusive falando em ‘explodir o departamento’ em nome de Flávio Bolsonaro. A sequência dos fatos é gravíssima e precisa ser esclarecida com urgência”, afirmou ele.
Jones ressaltou que pretende solicitar à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público Federal (MPF) uma investigação imediata sobre o episódio diante da possibilidade de o incêndio ter origem criminosa.
Logo após mobilizações de estudantes
A ocorrência chamou ainda mais atenção porque aconteceu após mobilizações políticas realizadas pelos estudantes no campus. Um dia antes do incêndio, alunos haviam participado de um ato contra Flávio Bolsonaro, em meio a uma sequência de manifestações pró-Lula realizadas na universidade.
Até agora, porém, não há elementos que permitam afirmar que o incêndio tenha motivação política ou que os autores das ameaças estejam ligados ao episódio. O Corpo de Bombeiros enviou cinco viaturas ao campus para controlar as chamas.
Pesquisas podem ter sido destruídas. A área atingida tem importância estratégica para a produção científica da UFPE. “Trabalhos de anos, projetos de inovação científica, de mestrandos, doutorandos e pós-doutorandos foram perdidos”, relatou.
— Com Agências de Notícias