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CNJ começa a analisar proposta de Fachin contra conflitos de interesse no Judiciário

Há 2 meses
Atualizado terça-feira, 4 de agosto de 2026

Da Redação

O Conselho Nacional de Justiça dá início nesta terça-feira (4) à discussão de um conjunto de regras pensado para evitar situações de conflito de interesse entre magistrados. A iniciativa parte do presidente do órgão e do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, e busca organizar temas como participação em eventos pagos por terceiros, aceitação de presentes e relações com familiares dentro da Justiça.

O que motivou a proposta

A ideia central é criar parâmetros claros para situações que hoje ficam sujeitas a interpretações variadas em cada tribunal. O texto elaborado por Fachin classifica os conflitos de interesse em diferentes níveis de gravidade — que vão desde um risco apenas aparente até um conflito efetivamente configurado — permitindo que cada caso seja avaliado de acordo com sua real dimensão.

Caso avance no CNJ, o conjunto de normas valerá para todos os tribunais do país, com uma exceção: o próprio STF ficará de fora dessa regulamentação específica, já que a Corte trata separadamente da criação de um código de ética voltado aos ministros.

Eventos pagos por terceiros entram na mira

Um dos pontos centrais da proposta trata da participação de juízes e servidores em congressos, seminários e outros eventos custeados por empresas, instituições ou pessoas físicas. Pela proposta, essa participação passa a exigir mais transparência e cuidado, para não comprometer a imagem de imparcialidade do magistrado.

Entre os critérios que os tribunais deverão observar antes de autorizar a presença de um juiz nesses eventos estão quem é o patrocinador e qual sua área de atuação, o objetivo e o caráter do evento (se é acadêmico, institucional ou comercial), se os gastos cobertos são proporcionais, e se existe alguma ação judicial do financiador tramitando na vara ou tribunal onde o magistrado atua.

Presentes e vínculos familiares também terão regras

Já em relação a presentes recebidos por magistrados, a proposta prevê uma análise individualizada de cada situação, orientada por princípios como impessoalidade, prudência e proporcionalidade, sempre com o objetivo de preservar a independência do julgador.

O texto também determina que os tribunais passem a mapear de forma mais estruturada a vida profissional e patrimonial de juízes e servidores — incluindo atividades acadêmicas, empresariais e culturais, participações societárias e vínculos com associações e entidades. A proposta ainda prevê a criação de canais para que o próprio magistrado possa consultar previamente o tribunal sobre situações que considere delicadas.

Próximos passos no CNJ

Depois de apresentado ao plenário nesta terça-feira, o texto entra em uma fase de consulta: será aberto um prazo de 60 dias para que os tribunais de todo o país enviem sugestões e críticas antes de uma eventual votação definitiva das regras.

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