Da Redação
O primeiro turno das eleições de 2026 já registrou o maior número absoluto de abstenções da história do país. Ao menos 33.462.286 eleitores deixaram de comparecer às urnas neste domingo (04/10), o equivalente a 21,08% do eleitorado das seções totalizadas.
Quando se usa o termo “seções totalizadas”, isto se dá porque apesar do resultado final do pleito já ter sido divulgado, os números exatos das eleições só serão concluídos até esta terça-feira (06/10) quando todos os votos — inclusive os que foram registrados nos rincões do país — estiverem totalmente computados.
Número supera o de 2022
O número de abstenções registrado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), conforme informações da Corte, supera o recorde de 2022, quando 32.770.982 brasileiros não foram às urnas no primeiro turno. Naquele ano, a abstenção ficou em 20,95% dos 156.454.011 eleitores aptos.
Até a última atualização do TSE, as seções totalizadas reuniam 158.649.516 eleitores. Dos quais, 125.208.043 compareceram às urnas. O eleitorado brasileiro também cresceu desde a última eleição presidencial.
Mais pessoas aptas a votar
Neste ano, 158,7 milhões de pessoas (ou 158.745.502) estão aptas a votar — cerca de 2,3 milhões a mais do que em 2022. Mas mesmo com a ampliação da base eleitoral, a proporção de ausentes também avançou. Significa dizer que mais de um em cada cinco eleitores não participou do primeiro turno.
Conforme analistas políticos e de Direito eleitoral, apesar do recorde em números absolutos, o percentual de 2026 não é o maior da série histórica das eleições presidenciais. Em 1998, 21,49% dos eleitores não compareceram às urnas no primeiro turno, cerca de 22,8 milhões de pessoas.
Índice cresce a cada eleição
A diferença entre os dois resultados acompanha o crescimento do eleitorado brasileiro. Embora a taxa de abstenção de 1998 tenha sido maior, o país tinha pouco mais de 106 milhões de eleitores. Em 2026, são quase 159 milhões. Por isso, os 21,08% registrados neste domingo representam mais de 33,4 milhões de pessoas e estabelecem um novo recorde em números absolutos.
Depois de 1998, a abstenção caiu para 17,74% em 2002 e 16,75% em 2006. Desde então, o índice cresce a cada eleição presidencial: passou para 18,12% em 2010, 19,39% em 2014, 20,33% em 2018 e 20,95% em 2022. Ou seja, é a terceira eleição presidencial consecutiva em que mais de 20% do eleitorado deixa de votar no primeiro turno.
— Com Agências de Notícias