Lula confirma Wellington César como novo ministro da Justiça

Há 1 mês
Atualizado quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Da Redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou na tarde desta terça-feira (13) a escolha de Wellington César Lima e Silva para comandar o Ministério da Justiça e Segurança Pública. O jurista baiano de 60 anos, que era advogado-geral da Petrobras, foi recebido pelo presidente no Palácio do Planalto, onde a nomeação foi oficializada. A decisão reforça a presença baiana no primeiro escalão e encerra a expectativa sobre o substituto de Ricardo Lewandowski.

Wellington César não é estreante no cargo. Em 2016, durante o governo Dilma Rousseff, ocupou a pasta por apenas 14 dias. A nomeação foi anulada pelo STF, que considerou inconstitucional o acúmulo da função ministerial com o cargo de procurador no Ministério Público da Bahia.

Mais recentemente, entre janeiro de 2023 e julho de 2024, comandou a Secretaria de Assuntos Jurídicos da Casa Civil. No período, ganhou a confiança de Lula com despachos quase diários sobre atos presidenciais, análise de projetos e medidas provisórias.

Confirmação após reunião no Planalto

A confirmação do novo ministro ocorreu após reunião entre Lula e Wellington César no Palácio do Planalto. O encontro selou a escolha que vinha sendo articulada nos bastidores desde a saída de Lewandowski.

A nomeação atende às expectativas de integrantes da ala baiana do governo. O líder no Senado, Jaques Wagner, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o titular da Secom, Sidônio Palmeira, defendiam a indicação.

Ala baiana articula indicação no Planalto

Wagner chegou a negar fazer “campanha” pelo jurista, mas afirmou que o nome surge com “naturalidade”. Segundo ele, Wellington é “pessoa credenciada” que ganhou confiança e intimidade com o presidente.

A indicação reforça a presença baiana no primeiro escalão, que já conta com Rui Costa, Sidônio Palmeira e a ministra da Cultura, Margareth Menezes. O eixo baiano no Planalto ganha ainda mais força com a confirmação.

Fontes próximas ao jurista já sinalizavam que as conversas sobre a nomeação estavam bem encaminhadas. A oficialização confirma as informações que circulavam desde o fim de semana.

Bom trânsito no STF pesa na decisão

O relacionamento consolidado com ministros do Supremo foi determinante para a escolha. Durante a passagem pela Secretaria de Assuntos Jurídicos, Wellington estreitou laços com integrantes da Corte, sendo descrito como “culto, cordato e conciliador” por um ministro.

A ponte sólida com o Judiciário é considerada atributo essencial por Lula. O presidente consultou ministros do STF antes de bater o martelo sobre o sucessor de Lewandowski.

A experiência na SAJ também permitiu que Wellington consolidasse sua imagem de interlocutor confiável. Ele foi responsável pela análise de atos presidenciais e preparação de despachos estratégicos.

Trajetória no Ministério Público da Bahia

Nascido em Salvador, Wellington César ingressou no Ministério Público baiano em 1991. Atuou em comarcas do interior até 1995, quando foi promovido para a capital.

Em 2010, Jaques Wagner o nomeou procurador-geral de Justiça da Bahia. Ocupou o cargo por dois mandatos consecutivos, mesmo tendo sido o menos votado da lista tríplice.

No comando do MP baiano, criou o Comitê Interinstitucional de Segurança Pública e participou do Pacto pela Vida. Também promoveu aproximação entre o Ministério Público e as polícias.

Formação acadêmica e experiência técnica

Wellington César possui mestrado em ciências criminais e doutorado em direito penal e criminologia. Atuou como professor em cursos de graduação e pós-graduação, incluindo passagem pela Universidade Federal da Bahia.

A formação acadêmica robusta soma-se à experiência em cargos estratégicos no governo federal. Antes da Petrobras, comandou a SAJ, pasta responsável por assessoria jurídica direta ao presidente.

Com a confirmação, esta é a terceira nomeação para o Ministério da Justiça no atual mandato de Lula. Flávio Dino comandou a pasta entre janeiro de 2023 e fevereiro de 2024.

Transição em andamento no ministério

Ricardo Lewandowski deixou o governo na sexta-feira 9 de janeiro, alegando motivos pessoais e familiares. Esteve à frente da pasta por quase dois anos.

Lula nomeou o secretário-executivo Manoel Carlos de Almeida Neto como ministro interino. Ele permanecerá no comando até a posse de Wellington César e conclusão da transição.

A proposta de dividir o ministério, criando pasta exclusiva para Segurança Pública, foi descartada neste momento. A ideia deve permanecer como promessa de campanha à reeleição.

Decreto de nomeação

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