Casal com união estável não pode fazer, via escritura, aplicação retroativa do regime de separação total de bens – – –
Justiça de SP nega prisão preventiva do homem que atropelou tio de Boulos – – –
Corregedoria Nacional de Justiça estabelece novas regras para agilizar venda de bens apreendidos pela PF  – – –
STF reconhece repercussão geral de revisão de valores pagos a hospitais que atendem pelo SUS – – –
Eleitores não podem ser presos a partir desta terça, a cinco dias do segundo turno – – –
André Mendonça, do TSE, é designado o relator do pedido de Lula para quebra de sigilos – – –
Campanha contra assédio eleitoral segue no segundo turno após quase mil denúncias – – –
Mulher é condenada por extorsão após simular o próprio sequestro para tirar dinheiro da mãe – – –
TJDFT mantém indenização de R$ 18 mil a mãe e filhos abordados sob suspeita de furtar chinelo já pago – – –
Zanin cobra explicações do TSE e reabre disputa judicial sobre eleição no Rio – – –

Marina Silva abandona sessão no Senado após confronto acalorado com senadores

Há 1 ano
Atualizado segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Da Redação

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, abandonou nesta terça-feira (27) uma audiência na Comissão de Infraestrutura do Senado Federal após uma série de confrontos e manifestações de desrespeito por parte de senadores. O episódio expôs novamente as tensões entre a agenda ambiental do governo e setores do Congresso Nacional que pressionam por flexibilização das regras de licenciamento.

Tudo começou  quando o tema do meio ambiente descambou para a polêmica da pavimentação da BR-319, que liga Porto Velho (RO) a Manaus (AM). Marina Silva havia sido convidada pelo senador Lucas Barreto (PSD-AP) para prestar esclarecimentos sobre a criação de unidades de conservação da marinha na Margem Equatorial, no Norte do país. No entanto, a sessão rapidamente se desviou o assunto.

Durante três horas e meia de debates, a ministra enfrentou críticas constantes sobre a demora na liberação de licenças ambientais. O primeiro confronto ocorreu com o presidente da comissão, senador Marcos Rogério (PL-RO), que ironizou a “educação” de Marina e mandou que ela se “colocasse no seu lugar”.
“O senhor gostaria é que eu fosse uma mulher submissa e eu não sou”, retrucou Marina Silva, em um dos momentos mais tensos da sessão.

A gota d’água

O episódio que levou à saída definitiva da ministra envolveu o senador Plínio Valério (PSDB-AM), que protagonizara anteriormente declarações polêmicas contra Marina. “A mulher merece respeito, a ministra não”, declarou Valério durante a sessão.

Marina Silva imediatamente exigiu um pedido de desculpas, lembrando que o senador já havia feito ameaças contra ela em março deste ano, quando disse publicamente ter tido vontade de “enforcá-la”. Como Valério se recusou a se desculpar, a ministra decidiu se retirar.

“Sou ministra de Meio Ambiente, foi nessa condição que eu fui convidada e ouvir um senador dizer que não me respeita como ministra, eu não poderia ter outra atitude”, declarou Marina em coletiva após deixar a audiência.

Histórico de hostilidade

Este não foi o primeiro embate público entre Marina Silva e Plínio Valério. Em março de 2025, durante um evento da Fecomércio no Amazonas, o senador afirmou que participar de uma audiência com a ministra por “seis horas e dez minutos” lhe deu vontade de “enforcá-la”.

A declaração gerou ampla reprovação, levando deputadas de nove partidos a apresentarem uma denúncia contra Valério no Conselho de Ética do Senado por incitação à violência e violência de gênero. Mesmo diante das críticas, o senador se recusou a se retratar, alegando que foi “apenas uma brincadeira”.

Defesa institucional

Senadores governistas saíram em defesa de Marina Silva. Rogério Carvalho (PT-SE) classificou as manifestações de desrespeito como “inaceitáveis” em um debate institucional, enquanto a senadora Eliziane Gama criticou a forma como a ministra estava sendo tratada.

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, também se manifestou, qualificando o episódio como “completo absurdo” e “misógino”, pedindo responsabilização dos parlamentares envolvidos.

A agenda por trás do conflito

A audiência evidenciou as tensões em torno de projetos desenvolvimentistas na Amazônia. Senadores da região Norte têm pressionado pela liberação de obras como a BR-319, considerada estratégica para a logística regional, mas que enfrenta resistência de órgãos ambientais devido aos potenciais impactos em unidades de conservação e comunidades indígenas.

Marina Silva defendeu o trabalho do Ministério do Meio Ambiente, afirmando que entre 2023 e 2025 já foram concedidas 1.250 licenças ambientais, sendo mais da metade para a Petrobras. “Ao defender o meio ambiente eu estou defendendo os interesses estratégicos do Brasil”, declarou.

Consequências políticas

Após a saída de Marina Silva, o presidente da Comissão de Infraestrutura, Marcos Rogério, anunciou que pautará na próxima sessão uma convocação formal da ministra, mecanismo mais rígido que obriga o comparecimento.

O episódio ocorre em um momento de pressão sobre a política ambiental do governo, com o Senado tendo aprovado na semana passada, com ampla maioria, a Lei Geral do Licenciamento Ambiental, conhecida pelos ambientalistas como “PL da Devastação” por flexibilizar regras de proteção ambiental.

Autor

Leia mais

Ministra Nancy Andrighi, do STJ

Casal com união estável não pode fazer, via escritura, aplicação retroativa do regime de separação total de bens

Há 12 horas
Atropelamento do tio do ministro Guilherme Boulos

Justiça de SP nega prisão preventiva do homem que atropelou tio de Boulos

Há 12 horas
Carros apreendidos pela PF

Corregedoria Nacional de Justiça estabelece novas regras para agilizar venda de bens apreendidos pela PF 

Há 14 horas
Ministro Gilmar Mendes, do STF

STF reconhece repercussão geral de revisão de valores pagos a hospitais que atendem pelo SUS

Há 14 horas

Eleitores não podem ser presos a partir desta terça, a cinco dias do segundo turno

Há 15 horas
Ministro André Mendonça, do STF e do TSE

André Mendonça, do TSE, é designado o relator do pedido de Lula para quebra de sigilos

Há 15 horas