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Fabi Wejngarten e Paulo Bueno, advogados de Bolsonaro que Alexandre de Moraes mandou ouvir

Moraes determina que PF ouça Wajngarten e Paulo Costa Bueno por suspeita de obstrução

Há 1 ano
Atualizado sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Da redação

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (25) que a Polícia Federal (PF) ouça Fábio Wajngarten e Paulo Costa Bueno para investigar suspeitas de obstrução de investigação penal. Os dois são acusados de tentar acessar informações sigilosas da delação premiada de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, através de pressão sobre familiares do colaborador.

A decisão foi tomada no âmbito do (Inq) 5005, que investiga tentativas de acesso não autorizado às informações da colaboração premiada de Cid. Wajngarten, ex-secretário de Comunicação Social da Presidência e ex-advogado de Bolsonaro, e Costa Bueno, atual defensor do ex-presidente, são suspeitos de ter pressionado a mãe, esposa e filha adolescente de Cid em busca de detalhes sobre o conteúdo da delação.

Investigação se expande com novas suspeitas

O inquérito inicialmente focava na atuação do ex-assessor presidencial Marcelo Câmara e do advogado Luiz Eduardo Kuntz, ambos acusados de tentar acessar irregularmente informações da delação de Cid. Câmara, que é réu por envolvimento na tentativa de golpe de Estado, foi preso na semana passada por sua participação no esquema.

A investigação ganhou novos contornos após a defesa de Cid incluir no processo declarações que implicam diretamente Wajngarten e Costa Bueno no mesmo tipo de conduta criminosa. Segundo os advogados do colaborador, os dois teriam adotado estratégias similares às de Câmara para tentar obter acesso às informações sigilosas.

Pressão sobre familiares de Mauro Cid

De acordo com as declarações apresentadas pela defesa de Cid, Wajngarten e Costa Bueno teriam pressionado sistematicamente os familiares do ex-ajudante de ordens.

Além da busca por informações, os dois advogados também teriam tentado influenciar os familiares para que Cid destituísse sua defesa já constituída. Essa conduta, segundo a interpretação do ministro Alexandre de Moraes, configura tentativa de interferir no curso das investigações de forma irregular.

As pressões teriam ocorrido através de mensagens de WhatsApp enviadas para o celular da filha adolescente de Cid, aparelho que foi voluntariamente entregue à Polícia Federal pelos advogados do colaborador como prova das condutas suspeitas.

Tipificação criminal e próximos Passos

Para o ministro Alexandre de Moraes, as condutas descritas indicam a suposta prática do crime de obstrução de investigação de infração penal que envolva organização criminosa. Esse tipo penal prevê punições severas para quem tenta interferir no curso de investigações, especialmente quando envolvem crimes organizados.

A Polícia Federal tem agora cinco dias para ouvir os suspeitos Wajngarten e Costa Bueno, que deverão prestar depoimentos sobre as acusações que pesam contra eles.

Paralelamente, a PF tem prazo de dez dias para anexar ao inquérito o laudo de extração e análise dos dados do celular da filha de Cid, evidência fundamental para comprovar as alegações de pressão e tentativa de obstrução.

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