Da Redação
Depois de a Justiça de São Paulo ter emitido, no início do mês, novo mandado de prisão preventiva contra o empresário Luiz Eduardo Auricchio Bottura — considerado o maior litigante individual do país, que está foragido na Itália — e também um mandado de prisão preventiva contra sua advogada, Natália Bergamo Pascucci (que até então não tinha sido alvo de nenhuma medida judicial) o caso passa a ter novos desdobramentos.
Desta vez por parte da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Na última semana, as seccionais da OAB de São Paulo e do Distrito Federal suspenderam a inscrição de Natália, que está foragida, na entidade em função do seu envolvimento nos trabalhos do empresário, por atos considerados incabíveis para o exercício da advocacia.
O inusitado do caso é que Natália foi objeto de reportagens em todo o país em 2022 pelo seu preparo acadêmico e jurídico. Naquele ano, ela gabaritou a prova para ingresso na OAB — um exame muito disputado nacionalmente e que, na época, contou com aproximadamente 151 mil inscritos.
Sigilo judicial
O pedido da prisão preventiva da advogada foi expedido no último dia 15, junto com o de Bottura, pelo juiz Gustavo Comin Otaviano, da 21ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). O processo está sob segredo de justiça, mas o documento pode ser encontrado no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP 3.0) do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Bottura está na lista da Interpol por se tratar do maior litigante individual do país, por acumular longo histórico de acusações de fraude ao sistema judiciário. Ele é acusado de ter criado uma indústria de processos para atacar desafetos, acionando juízes, promotores e testemunhas como tática de intimidação e tumulto processual.
300 condenações
Com cerca de 300 condenações por litigância de má-fé, o empresário teve a prisão preventiva decretada no final de 2024 pelos crimes de associação criminosa e falsificação de documentos públicos, mas está na Europa desde janeiro do ano passado. Chegou a ser detido pelas autoridades italianas em abril de 2025 em razão de um alerta vermelho da Interpol. Atualmente, aguarda em liberdade o julgamento de seu pedido de extradição.
Em março passado, durante entrevista que concedeu à TV Globo na Itália, Bottura negou as acusações. Alegou que as denúncias baseiam-se em depoimentos falsos e que o seu patrimônio é lícito. Já a advogada, que é uma das integrantes da equipe do empresário, chegou a ser procurada nos seus contatos, mas nem se manifestou a respeito nem por meio de representantes.