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Operação Unha e Carne prende deputado estadual por fraudes na educação do Rio

Há 6 meses
Atualizado terça-feira, 5 de maio de 2026

Da Redação

Quarta fase da operação cumpre sete mandados de prisão e mira esquema de desvio de recursos em escolas públicas fluminenses

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (5) a quarta fase da Operação Unha e Carne, voltada a desmantelar um esquema de corrupção dentro da Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc). A ação resultou na prisão do deputado estadual Thiago Rangel (Avante), entre outros alvos.

No total, agentes federais cumprem sete mandados de prisão preventiva e 23 mandados de busca e apreensão em quatro cidades: Rio de Janeiro, Campos dos Goytacazes, Miracema e Bom Jesus do Itabapoana. Todas as ordens judiciais foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Como o esquema funcionava

As investigações apontam que contratos firmados por escolas estaduais ligadas à Diretoria Regional Noroeste da Seeduc — área de influência política de Rangel, segundo a PF — eram direcionados a empresas previamente escolhidas pelo grupo criminoso. As contratações envolviam compra de materiais e realização de obras e reformas.

Depois de receber os recursos públicos, sócios e procuradores das empresas sacavam o dinheiro e o transferiam para contas ligadas a integrantes da organização. Os valores desviados eram então misturados com dinheiro de origem lícita em uma rede de postos de combustíveis administrada pelo suposto líder do grupo — prática caracterizada como lavagem de dinheiro.

Quais crimes os investigados podem responder

Além de organização criminosa, os envolvidos poderão ser indiciados por peculato, fraude à licitação e lavagem de dinheiro. A investigação segue aberta e outros crimes podem ser identificados ao longo do processo.

A operação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, criada a partir de determinação do STF no âmbito da ADPF 635 — conhecida como ADPF das Favelas. O objetivo é coordenar as forças federais de segurança para enfraquecer financeiramente grupos criminosos e cortar suas conexões com agentes públicos no Rio de Janeiro.

Da onde surgiu a investigação

A quarta fase nasceu de uma análise de materiais apreendidos ainda na primeira etapa da operação, deflagrada em dezembro de 2025. Naquela ocasião, o então presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), deputado Rodrigo Bacellar (União Brasil), foi preso sob suspeita de ter vazado informações sigilosas da Operação Zargun, ação policial contra o Comando Vermelho.

Segundo a PF, os vazamentos beneficiaram o ex-deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, apontado como articulador político da facção criminosa e preso na Operação Zargun. O repasse de informações teria permitido a destruição ou ocultação de provas.

As fases anteriores da operação

A segunda fase, também em dezembro de 2025, aprofundou as investigações sobre a origem dos vazamentos e resultou na prisão do desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). A suspeita é que o magistrado repassou informações reservadas a Bacellar, que as transmitiu a TH Joias.

Já a terceira fase ocorreu em março de 2026, quando Bacellar foi preso novamente — desta vez em sua residência em Teresópolis. A nova prisão veio após a cassação de seu mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o oferecimento de denúncia formal pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Na quarta fase desta terça, o STF também expediu novo mandado de prisão contra Bacellar, que já se encontrava encarcerado.

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