Da Redação
Os presidenciáveis para o segundo turno — o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) — passaram os últimos dias em reuniões para a adoção das estratégias das próximas semanas. Uma das prioridades, conforme destacaram assessores e colaboradores, é conquistar os 9 milhões de votos de candidatos derrotados e os votos das pessoas que se abstiveram, 33,4 milhões de pessoas no total e, no Nordeste em especial, aproximadamente 8 milhões.
Na menor diferença percentual em um primeiro turno desde a redemocratização, as urnas registraram 47,03% dos votos para o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e 45,16% para Lula. Os 7,81% restantes dos votos válidos foram pulverizados em presidenciáveis do segundo e do terceiro pelotão da disputa.
Migração de votos
Lula e Flávio agora se enfrentam com foco em reduzir as abstenções, atrair eleitores da terceira via e aumentar os percentuais de rejeição do rival.
No caso de Flávio, o desafio agora é consolidar a liderança e garantir a migração de votos de Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), alinhados à direita política. O presidente Lula, por outro lado, mira reduzir o número de ausentes e reforçar apoio a ele em redutos eleitorais históricos.
“Sentido de responsabilidade”
“Tem uma coisa que nós temos que trabalhar: são mais de 30 milhões de pessoas que não foram votar. O que aconteceu com essas pessoas? Eles perderam o sentido de responsabilidade? Eles não foram convencidos? Eles não gostam dos candidatos? Porque, se fosse assim, teria surgido uma terceira via, e não surgiu”, questionou o presidente.
A estratégia também se disseminou pelo eleitorado. Apoiadores de Lula formularam uma ferramenta batizada de “Onde dá para conversar”, que mapeia as seções eleitorais puxando por quem não foi votar e quem preferiu um candidato do segundo pelotão. O desafio, porém, está nos três maiores colégios eleitorais, que também lideram em abstenções: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Convencimento para apoios
Já para Flávio, o segundo turno depende da migração de votos do segundo pelotão de presidenciáveis. Zema e Caiado já declararam apoio a ele, mas Cury e Renan, negaram endosso a qualquer um dos finalistas. São mais de 9,3 milhões de votos da terceira via em disputa no segundo turno. A maior parte deles está concentrada nos grandes colégios: 2,5 milhões paulistas (9,86% dos votos válidos), 1 milhão mineiros (8,41%) e 700 mil fluminenses (7,65%).
Por proporção, o estado que mais apostou na terceira via foi Goiás, governado por Caiado nos últimos dois mandatos, com 13,83% da preferência do eleitorado. Esses votos tendem a migrar para Flávio, que marcou 53% nas urnas ante 31% de Lula. No Distrito Federal, o segundo e o terceiro pelotão receberam 10,59% dos votos. Flávio também liderou na capital do país, com 51%.
— Com Agências de Notícias