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Sede do STM, em Brasília

STM confirma condenação de civis por desvio de metralhadoras do Exército em São Paulo

Há 5 meses
Atualizado sexta-feira, 5 de junho de 2026

Da Redação

Dois homens foram sentenciados a 18 anos de prisão cada por ajudar a comercializar armas furtadas do Arsenal de Guerra de Barueri no feriado da Independência de 2023

Duas pessoas que participaram da venda ilegal de armas militares tiveram a condenação confirmada pelo Superior Tribunal Militar (STM) nesta semana. Cláudio Aldo Ferreira e Altoniel Salvador Almeida tentaram reverter na Justiça as penas de 18 anos de reclusão, mas o tribunal negou os recursos por unanimidade e manteve as punições.

O caso envolve o desvio de 22 armas — entre metralhadoras e um fuzil — do Arsenal de Guerra do Exército de São Paulo (AGSP), em Barueri, ocorrido em 7 de setembro de 2023, durante o feriado da Independência.

O que cada condenado fez

Cláudio, apelidado de “Véio”, foi identificado em vídeos em que aparecia conferindo e embalando as armas no dia seguinte ao furto, referindo-se ao material como “bagulho de guerra”. A voz foi confirmada por perícia fonética, e a quebra do sigilo bancário revelou transferências financeiras suspeitas próximas à data do crime.

Já Altoniel, o “Atani”, atuou como intermediário na negociação de quatro metralhadoras calibre .50. Ele teria indicado um comprador em Paranhos, no Mato Grosso do Sul, e recebido R$ 10 mil pela intermediação. Os dois negam envolvimento e pediram anulação do processo por insuficiência de provas.

Como o furto aconteceu

Dois ex-cabos do Exército — Vagner da Silva Tandu e Felipe Ferreira Barbosa — aproveitaram a ausência de movimento no feriado para arrombar o depósito, desligar o alarme e carregar as armas na caçamba da caminhonete oficial do diretor do arsenal, coberta com uma lona.

A saída do quartel foi facilitada porque um tenente havia ordenado que o veículo do diretor nunca fosse revistado — uma prática que contrariava as normas internas do Exército. Os cabos foram condenados a 17 anos e 4 meses de prisão em regime fechado pelo crime de peculato-furto.

Outros militares e civis também condenados

Em uma segunda ação penal julgada pelo STM, outros quatro militares e cinco civis também foram responsabilizados. O tenente responsável pela falha na revista recebeu pena de 9 meses. Já o tenente-coronel que dirigia o arsenal foi punido com seis meses de suspensão do posto por negligência — a investigação concluiu que ele não tinha participação direta no crime, mas foi omisso na gestão da unidade.

Entre os civis condenados nesse segundo processo, as penas variam de 14 anos e 4 meses a 18 anos de reclusão, todos em regime fechado, por comercialização ilegal de armas de uso restrito.

Destino das armas e o que ainda não foi encontrado

Das 22 armas furtadas — 13 metralhadoras calibre .50, 8 metralhadoras calibre 7,62 e um fuzil —, 20 foram recuperadas em operações das polícias civis de São Paulo e do Rio de Janeiro. Oito foram apreendidas na Comunidade da Gardênia Azul, na Zona Oeste do Rio; três na Praia da Reserva, também no Rio; e nove em São Roque, no interior paulista.

Duas metralhadoras calibre .50 seguem desaparecidas. O inquérito apontou que as armas foram oferecidas ao Comando Vermelho, facção carioca, mas não houve recrutamento por parte dos criminosos — foram os próprios cabos que procuraram os traficantes para vender o material.

O que acontece com os militares condenados

A expulsão das Forças Armadas não é automática após a condenação. Para praças — de soldado a subtenente —, é necessária uma pena superior a dois anos após o trânsito em julgado. Para oficiais, o processo ainda passa por um Conselho de Justificação e precisa ser julgado pelo próprio STM.

Os dois cabos já haviam deixado o Exército em março de 2024. O tenente e o tenente-coronel seguem na ativa, mesmo respondendo pelos crimes.

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