Da Redação
Balanço do MPT mostra que mais de um terço das queixas foi feito em setembro; WhatsApp aparece como principal ferramenta de pressão sobre empregados
O Ministério Público do Trabalho (MPT) recebeu 583 denúncias de assédio eleitoral em 2026, segundo balanço divulgado em 25 de setembro. Mais de 200 delas, o que representa mais de um terço do total, foram registradas apenas neste mês, na reta final da campanha.
A concentração de casos em setembro coincide com a aproximação do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. O levantamento reúne queixas de trabalhadores de todo o país que relatam pressão de empregadores sobre suas escolhas políticas.
O que caracteriza o assédio eleitoral
O assédio eleitoral no trabalho ocorre quando empregados sofrem coação, intimidação, ameaça, humilhação ou constrangimento ligados às eleições. O objetivo é influenciar o voto, o apoio ou a manifestação política do trabalhador.
As denúncias recebidas pelo MPT incluem ameaças de demissão ou de piora nas condições de trabalho conforme o resultado das urnas. Também há relatos de imposição do uso de material de campanha e de perseguição por divergência política.
Outra conduta frequente é constranger funcionários a apoiar determinada candidatura ou a participar de atos políticos. Em todos esses casos, a relação de subordinação é usada para interferir em uma decisão que deve ser livre.
Sudeste lidera ranking de denúncias
A região Sudeste concentra o maior número de ocorrências, com 207 denúncias. Em seguida aparece o Nordeste, com 144 registros. Juntas, as duas regiões somam cerca de 60% de todas as queixas feitas ao MPT neste ano.
Entre os locais com mais denúncias estão São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, capitais que reúnem grande contingente de trabalhadores formais e algumas das maiores concentrações de eleitores do país.
Justiça do Trabalho já soma 815 processos
Os casos também chegam aos tribunais. Dados do Painel de Assédio Eleitoral da Justiça do Trabalho indicam 815 processos relacionados ao tema, identificados entre a primeira semana de maio de 2025 e esta semana.
O painel permite acompanhar a evolução das ações judiciais envolvendo pressão política no ambiente de trabalho, complementando os números das denúncias recebidas pelo Ministério Público do Trabalho.
WhatsApp é principal ferramenta
A tecnologia tem sido um dos principais meios para a prática desse tipo de assédio. Mensagens em grupos corporativos de WhatsApp, e-mails e reuniões virtuais também podem configurar a conduta ilegal.
Levantamento do Tribunal Superior do Trabalho (TST) identificou o uso de meios virtuais em pouco mais de 67% dos processos analisados. Só o WhatsApp aparece como instrumento utilizado em 37% dos casos.
Campanha orienta como denunciar
Desde o início de agosto, Justiça do Trabalho, Justiça Eleitoral, Ministério Público Eleitoral e MPT promovem a campanha nacional No Meu Voto Mando Eu, parte da Aliança pelo Voto Livre e Secreto.
No site da campanha, hospedado no portal do TST, o trabalhador pode consultar os canais de denúncia disponibilizados por cada um dos órgãos envolvidos na iniciativa.
A orientação é que o empregado que se sentir pressionado a votar ou apoiar determinado candidato procure esses canais, já que a escolha política é um direito individual e não pode ser imposta pelo empregador.