Da Redação
Com o objetivo de coibir o uso fraudulento de áudios sintéticos durante as eleições deste ano, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) firmou um acordo de cooperação técnica com a empresa britânica de inteligência artificial ElevenLabs. A parceria prevê a criação de um mecanismo de proteção para bloquear a clonagem não autorizada de vozes de candidatos e autoridades.
Além disso, também integrará recursos de voz aos canais de atendimento digital do Tribunal. O acordo integra o chamado Programa Permanente de Enfrentamento à Desinformação da Justiça Eleitoral e não prevê repasses financeiros entre as partes. A vigência vai até 31 de dezembro.
Uma das principais
A ElevenLabs é considerada uma das principais plataformas globais especializadas na geração e clonagem de voz por inteligência artificial. A preocupação da Corte Eleitoral se dá diante do avanço acelerado do uso de deepfakes de áudio em disputas políticas, recurso utilizado para simular declarações falsas com alto grau de verossimilhança.
Juntamente com o bloqueio preventivo de vozes protegidas, o trabalho a ser realizado também abrangerá rastreamento de áudios manipulados gerados na plataforma e a ampliação da acessibilidade do eleitor via comando de voz.
Frentes abordadas
Conforme informações do TSE, a cooperação está estruturada em três frentes. A primeira delas é o bloqueio de clones de voz, uma vez que no combate à desinformação, a empresa compromete-se a manter uma lista de “vozes protegidas” (No-Go Voices), restringindo a criação de versões sintéticas da voz de figuras públicas designadas pelo TSE, como candidatos registrados e servidores da Justiça Eleitoral.
A segunda frente é o rastreamento de fraudes. A companhia dará suporte a investigações do Tribunal para identificar se áudios sob suspeita de fraude foram gerados em seus sistemas. Ao término das eleições, entregará um balanço com o total de tentativas de manipulação identificadas ao longo da campanha.
Ferramentas de conversão
Por fim, será feito o monitoramento de acessibilidade por voz. Ou seja, o TSE passará a utilizar gratuitamente as ferramentas de conversão de texto em fala e reconhecimento de voz da ElevenLabs em seus serviços públicos, a começar pelo Assistente Eleitoral.
A iniciativa busca facilitar o acesso de eleitores com deficiência visual, de pessoas idosas ou de pessoas com baixo letramento digital a informações sobre local de votação, situação eleitoral e documentos. Segundo os termos do documento, os compromissos de fiscalização da empresa ficam restritos aos conteúdos gerados por sua própria plataforma, não abrangendo ferramentas criadas por terceiros.
— Com informações do site do TSE