Da Redação
Levantamento do Tribunal Superior Eleitoral revela que 5.587 dos 20.608 registros de candidatura deste ano pertencem a pessoas sem nenhuma participação eleitoral identificada desde 1994. O fenômeno é mais forte entre as mulheres e varia bastante conforme o cargo, o partido e o estado.
O tamanho da renovação nas urnas
Das mais de 20 mil candidaturas registradas para as eleições de 2026, 27,1% são de nomes completamente novos no jogo eleitoral, segundo o cruzamento de dados feito pelo TSE. Isso significa que, a cada quatro concorrentes, pouco mais de um nunca havia disputado um cargo eletivo em três décadas de registros analisados, período que vai de 1994 a 2024.
É importante entender os limites dessa contagem: não aparecer nas bases eleitorais não quer dizer que a pessoa seja desconhecida da política. Muitos desses estreantes podem ter atuado em cargos de indicação, ocupado funções dentro de partidos ou até concorrido antes de 1994, época que ficou fora do levantamento.
Para especialistas ouvidos sobre o tema, a proporção de rostos novos ainda esbarra na lógica interna dos partidos, que tendem a priorizar quem já tem estrutura política consolidada. Por isso, as legendas costumam reservar as melhores posições na disputa para lideranças com histórico de mandatos, visibilidade e facilidade para captar recursos de campanha.
Cargos legislativos concentram os novatos
Se há um lugar onde as caras novas aparecem com mais força, é no Legislativo. As vagas de deputado — estadual, federal e distrital — somam sozinhas 92,5% de todos os estreantes do país.
Olhando em números absolutos, a disputa por deputado estadual lidera, com quase três mil candidatos sem histórico eleitoral. Mas, proporcionalmente, quem se destaca é a disputa por deputado distrital, no Distrito Federal: mais da metade dos concorrentes ao cargo (54%) nunca havia disputado uma eleição antes.
Do outro lado da tabela estão os cargos majoritários de topo. A candidatura a vice-presidente tem apenas um estreante entre 13 registros, a menor proporção de todo o levantamento. Presidente, governador e senador também aparecem entre as disputas com menos espaço para quem está começando agora.
Partidos novos abrem mais espaço para estreantes
O partido Missão, que teve seu registro aprovado pelo TSE no fim de 2025 e disputa pela primeira vez uma eleição nacional, é a legenda com a maior fatia de candidatos estreantes: 77,4%. Na sequência aparecem UP e Democrata, também com percentuais elevados.
Já entre os partidos mais tradicionais, a renovação é bem mais tímida. O PT tem a menor proporção de estreantes de todo o levantamento, com 17,1%, seguido de perto por PP, PL e União Brasil — legendas que já têm bancadas consolidadas e costumam priorizar a reeleição de quadros conhecidos.
Mulheres são maioria entre os que estreiam
Embora representem menos de 35% do total de candidaturas do país, as mulheres correspondem a 44,2% de todos os estreantes identificados pelo TSE. Na prática, 36,6% das candidatas mulheres nunca haviam disputado uma eleição, contra 24,7% dos homens.
Ouvida em reportagem do G1, Hannah Maruci, cientista política pela USP, diz que esse descompasso reflete um processo mais antigo do que a própria eleição de 2026. Segundo ela, quando uma mulher finalmente chega à disputa, isso já representa a superação de barreiras anteriores que envolvem, inclusive, a forma como se define quem é visto como um nome “viável” para ocupar espaços de poder.
Distrito Federal tem a maior proporção de novatos
Em números absolutos, São Paulo concentra o maior contingente de estreantes do país, com 678 candidatos sem histórico eleitoral — pouco mais de um quarto do total de candidaturas do estado. Mas quando o critério é a proporção dentro de cada território, quem assume a liderança é o Distrito Federal: mais da metade dos candidatos locais (51,5%) nunca havia disputado uma eleição desde 1994. Amapá, Piauí, Roraima e Acre também aparecem entre as unidades da federação com maior renovação proporcional, enquanto Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul registram os menores índices do país.