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Mendonça levanta sigilo da petição sobre Operação Compliance Zero

Há 2 meses
Atualizado terça-feira, 1 de setembro de 2026

Da Redação

O ministro André Mendonça, relator da Petição 16.662, determinou o levantamento do sigilo dos autos que investigam Daniel Bueno Vorcaro e sua suposta rede de monitoramento de instituições públicas. A decisão, publicada em primeiro de setembro, argumenta que a publicidade é imperativa em um Estado democrático de direito, alinhando-se com disposições constitucionais sobre transparência judicial.

A petição autônoma surge de investigações que já deflagraram a terceira e sexta fases ostensivas da Operação Compliance Zero, respectivamente em março e maio de 2026. O caso envolve representação formalizada pela Polícia Federal, na qual Vorcaro teria montado estrutura com potencial infiltração nas mais altas instâncias da república.

Investigação sobre rede de influência

Segundo a Polícia Federal, Vorcaro construiu sistema de monitoramento e influência capaz de obter informações sigilosas. Essas informações poderiam orientar negociações econômicas de “higidez duvidosa” ou respaldar plano sofisticado de fuga em caso de insucesso criminoso ou descoberta de atividades pelas autoridades investigativas.

As evidências emergiram de análises técnicas em aparelho celular apreendido com Vorcaro. Os diálogos reproduzidos pela polícia indicam conhecimento prévio de procedimentos investigatórios e apurações em curso no Banco Central.

Conhecimento prévio de investigações

Os diálogos extraídos do celular, conforme consta dos autos, revelam que o investigado obteve informações sobre procedimentos penais que estariam na iminência de serem apreciados pelo Poder Judiciário e pela diretoria do Banco Central. As mensagens também indicam demandas para intervenção junto a autoridades públicas envolvidas nesses processos decisórios.

Essas comunicações foram utilizadas em etapas posteriores das investigações, especialmente para embasar a sexta fase operativa em maio de 2026. Apesar da reiteração dos elementos, não havia informação completa sobre a identificação de outros integrantes da rede.

Trajetória das investigações

Desde fevereiro de 2026, Mendonça autorizou o fluxo ordinário de trabalho da Polícia Federal na condução dos exames periciais das mídias apreendidas. As análises técnicas geraram representações que desencadearam a terceira fase da operação em março.

Com o progresso das investigações, surgiram novas solicitações e autorizações judiciais. O relatório produzido em junho de 2026 consolidou as descobertas até aquele momento. Uma decisão adicional foi proferida em meados do mês anterior.

Razões constitucionais para publicidade

Mendonça fundamentou o levantamento do sigilo em disposições constitucionais. O ministro citou o inciso IX do artigo 93 da Constituição, que estabelece a publicidade de todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário como cláusula pétrea inafastável.

O magistrado invocou ainda o inciso LX do artigo 5º, que garante a publicidade dos julgamentos como direito fundamental, permitindo restrições apenas quando a defesa da intimidade ou interesse social o exigir. No caso, entendeu que o interesse público à informação não poderia ser prejudicado.

Transparência e legitimidade institucional

Para Mendonça, em Estado de Direito democrático e republicano, a legitimidade das instituições repousa sobre o conhecimento cidadão acerca das motivações e fundamentações das decisões públicas. Nenhuma outra forma de deliberação seria possível senão através da publicidade.

O ministro determinou que o Plenário do Supremo Tribunal Federal aprecie os novos elementos em sessão presencial pública, a ser agendada pelo presidente da Corte conforme suas atribuições regimental.

Leia AQUI a íntegra da decisão.

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