No centenário de Wajda, o seu último filme pode ser visto no streaming – – –
TSE recebe pedidos de registro de candidaturas até este sábado para Eleições 2026 – – –
Aplicativo espião em celular configura violência doméstica e gera indenização – – –
TST condena empresa a pagar horas extras por falta de pausa obrigatória a motorista – – –
STF abre consulta pública para modernização do sistema de Justiça brasileiro – – –
Justiça marca para 24 de setembro audiência sobre restrição a voos de helicóptero no Rio – – –
MPF processa CFM e Cremam por omissão diante de casos de violência obstétrica no Amazonas – – –
Dino retira sigilo de investigações sobre esquema de corrupção no Maranhão; suspeita atinge senador, deputado e cinco empresas – – –
Revelação tardia do árbitro não afasta nulidade de arbitragem, decide STJ – – –
TSE: Pool de emissoras para Eleições 2026 começa a funcionar no próximo dia 24  – – –
Decisão do STJ para retorno de crianças da Irlanda para a mãe no Brasil não foi cumprida

Decisão do STJ sobre retorno de crianças da Irlanda para o Brasil completa 50 dias e sentença ainda não foi cumprida

Há 1 ano
Atualizado sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Por Hylda Cavalcanti

Além das questões diplomáticas de ordem política que envolvem Brasil e Estados Unidos e Brasil e Itália, o Judiciário brasileiro também tem uma pendência em curso a ser resolvida com a Irlanda. Nesta quinta-feira (30/07) completam-se 50 dias da decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) que determinou o retorno de duas crianças residentes naquele país para ficar com a mãe, no Brasil.

Elas são filhas da nutricionista Raquel Canterelli, e a decisão foi definitiva para que voltem a residir aqui. Mas o cumprimento depende, ainda, das autoridades irlandesas.  Conforme informações da Defensoria Pública da União (DPU), os defensores Daniela Jacques Brauner e Holden Macedo participaram de reunião em junho com representantes do Ministério da Justiça para tratar sobre a execução da sentença e estão acompanhando o caso.

 A DPU destacou em nota, que o principal objetivo é fazer com que o retorno das crianças aconteça “de forma harmônica, levando-se em conta os instrumentos diplomáticos adequados”. Entre magistrados do STJ, porém, 50 dias é um período desarrazoado e as filhas já deveriam ter sido entregues para a mãe.

Entenda o caso

A nutricionista Raquel Canterelli, que travou uma longa batalha judicial para reaver as filhas, obteve vitória definitiva no STJ em 11 de junho passado. As meninas possuem 5 e 7 anos. Tudo se deu porque, em 2019, Raquel fugiu da Irlanda para o Brasil com as crianças (que teve com um irlandês). Ela afirmou que tomou a atitude por ter sido vítima de abuso físico e sexual pelo então companheiro, além de ter sido mantida em cárcere privado.

Raquel conseguiu sair da Irlanda com o apoio de autoridades consulares brasileiras, que acolheram denúncia feita por ela de ser vítima de violência psicológica e patrimonial. E mais: de que a filha mais velha também teria sofrido abusos.

Logo em seguida, o seu ex-companheiro moveu uma ação de busca e apreensão na Justiça brasileira, invocando a Convenção de Haia sobre os Aspectos Civis do Sequestro Internacional de Crianças. A ação foi iniciada ainda em 2019 pela Advocacia-Geral da União (AGUs), que atendeu a um pedido de cooperação jurídica feito pelo pai irlandês.

Mesmo com laudo, o retorno

Em 2022, um laudo pericial apontou os riscos do retorno das meninas à Irlanda, e a primeira instância da Justiça decidiu pela permanência das crianças com a mãe, no Brasil. Em 2023, entretanto, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) reformou a decisão, determinando a devolução imediata das crianças ao pai. Assim, as duas foram levadas à força com o auxílio de agentes da Polícia Federal (PF) da casa de Raquel.

A nutricionista interpôs recurso junto ao STJ com um advogado particular, mas o recurso foi rejeitado. Diante disso, a Defensoria Pública da União (DPU) e o Ministério Público Federal (MPF) intervieram a seu favor e ajuizaram novo recurso na Corte superior.

Convenção de Haia

A 1ª Turma do STJ reconheceu a existência de provas reais de risco às crianças e restabeleceu a decisão de primeiro grau, determinando a devolução das filhas à mãe.  A Advocacia-Geral da União (AGU) ainda tentou recorrer por meio de embargos de declaração, mas o resultado final foi confirmado pelo STJ em junho.

A questão reforça a necessidade de atualização alertada por muitos juristas sobre a atual Convenção de Haia, que consiste em uma série de tratados internacionais estabelecidos pela Conferência da Haia de Direito Internacional Privado. O objetivo principal da convenção, endossada por 120 países, incluindo o Brasil, é padronizar e simplificar questões legais entre seu signatários, de modo a facilitar a cooperação jurídica internacional.

Mães de Haia

Mas as regras terminam fazendo com que mulheres que, para fugir de situações de violência doméstica e outros abusos levam os filhos para outros países, acabem sendo enquadradas como sequestradoras internacionais de crianças. Motivo pelo qual a nutricionista, pela sua história, está sendo chamada de uma das “Mães de Haia”.

Em maio de 2024, a DPU levou o caso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). Também tramita processo sobre o tema no Supremo Tribunal Federal (STF). O mais urgente, por enquanto, é a execução da sentença mais recente sobre o tema proferida pelo STJ: a de Raquel Canterelli

Autor

Leia mais

No centenário de Wajda, o seu último filme pode ser visto no streaming

Há 16 horas

TSE recebe pedidos de registro de candidaturas até este sábado para Eleições 2026

Há 17 horas

Aplicativo espião em celular configura violência doméstica e gera indenização

Há 18 horas

TST condena empresa a pagar horas extras por falta de pausa obrigatória a motorista

Há 18 horas
Fachada do prédio do STF em Brasília

STF abre consulta pública para modernização do sistema de Justiça brasileiro

Há 18 horas

Justiça marca para 24 de setembro audiência sobre restrição a voos de helicóptero no Rio

Há 18 horas