Da Redação
Determinação partiu do ministro Flávio Dino, do STF, e envolve material apreendido na Operação Wi-Fi, que investiga suspeita de fraude em contrato milionário com a Prefeitura de São Paulo.
A Polícia Civil de São Paulo foi notificada nesta segunda-feira (24) sobre uma decisão do Supremo Tribunal Federal que obriga a corporação a repassar à Polícia Federal todo o material recolhido na Operação Wi-Fi. O prazo estipulado pelo ministro Flávio Dino é de cinco dias úteis, e o objetivo é dar mais fôlego a um inquérito que investiga se emendas parlamentares foram usadas para bancar um filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O que é a Operação Wi-Fi
A operação foi deflagrada em junho e teve como um dos principais focos o Instituto Conhecer Brasil, entidade comandada por Karina Gama, também sócia da produtora Go UP. É essa produtora a responsável pelo longa Dark Horse, cinebiografia dedicada à trajetória política de Jair Bolsonaro.
As investigações da Polícia Civil paulista tentam apurar se houve fraude em um contrato entre o instituto e a Prefeitura de São Paulo, cujo valor gira em torno de R$ 108 milhões anuais. A suspeita é que parte desses recursos públicos, destinados originalmente a outro fim, tenha sido desviada para financiar a produção do filme.
Por que o STF quer os dados
Enquanto isso, no âmbito federal, o STF conduz um inquérito paralelo com foco diferente: descobrir se emendas parlamentares de três deputados — Mário Frias, Marcos Pollon e Bia Kicis — teriam sido direcionadas ao Instituto Conhecer Brasil e à Academia Nacional de Cultura como forma de bancar, indiretamente, a produção cinematográfica.
Para avançar nessa frente, a Polícia Federal pediu acesso ao material já apreendido pelos colegas paulistas, alegando que os documentos e aparelhos recolhidos podem conter provas relevantes para o caso das emendas. Dino concordou com o pedido, avaliando que ele está de acordo com os critérios que o STF costuma adotar nesse tipo de compartilhamento entre polícias.
O que será enviado à Polícia Federal
Segundo a decisão, deverão seguir para Brasília:
- dados extraídos de celulares apreendidos;
- documentos contábeis e notas fiscais;
- comprovantes de pagamentos e registros financeiros;
- relatórios já elaborados sobre as mídias recolhidas na operação.
A expectativa é que esse material ajude a PF a mapear com mais precisão as relações entre Karina Gama, suas empresas e possíveis doações eleitorais associadas aos investigados.
Como está o andamento do processo
De acordo com publicação do G1 e apuração da TV Globo, o delegado responsável pelo caso em São Paulo já procurou a Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores, órgão ligado ao STF em Brasília, para agilizar o envio da documentação dentro do prazo determinado.
O inquérito no Supremo nasceu depois que Dino solicitou à Controladoria-Geral da União uma checagem sobre o destino de emendas parlamentares enviadas ao Instituto Conhecer Brasil e à Academia Nacional de Cultura — duas entidades que, segundo a investigação, estariam sob um mesmo núcleo de gestão comandado por Karina Gama.