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STF rejeita ação do Rio Grande do Sul sobre auxílio-refeição em período de férias

Há 2 meses
Atualizado quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Da Redação

O Supremo Tribunal Federal barrou uma ação do governador gaúcho contra decisão que garante benefício alimentar aos servidores públicos estaduais durante as férias, afastando o questionamento por considerar que existem outras vias processuais disponíveis para resolver o conflito.

Decisão da ministra Cármen Lúcia

A ministra Cármen Lúcia rejeitou, sem análise de mérito, a ADPF 1343 apresentada pelo executivo estadual. A magistrada observou que a ADPF não constitui ferramenta apropriada quando há recursos processuais alternativos cabíveis ao questionante. Dessa forma, utilizá-la nessas circunstâncias configura um “mecanismo de burla às normas de distribuição de competências entre os órgãos jurisdicionais”, conforme fundamentou.

A relatora ressaltou que esse tipo de ação só é admissível quando não existem outros caminhos eficazes para solucionar a disputa jurídica. A decisão reforça entendimento consolidado no tribunal sobre o uso correto dos instrumentos de controle constitucional disponíveis.

Questão de legislação estadual

A ministra também ponderou que qualquer análise sobre o auxílio-refeição pago aos servidores do estado exige o exame minucioso da legislação gaúcha. Quando o julgamento depende de leis estaduais, eventuais violações constitucionais não ocorrem de forma imediata e direta, impedindo o cabimento de ações de controle de constitucionalidade.

Esse raciocínio jurídico evidencia que a matéria demanda aprofundamento nas normas específicas do Rio Grande do Sul, não uma verificação genérica de compatibilidade com a Constituição Federal.

Impasse financeiro nos cofres gaúchos

O governador Eduardo Leite havia sustentado que a decisão da Turma de Uniformização dos Juizados Especiais da Fazenda Pública do estado provocaria impacto orçamentário de aproximadamente R$ 266 milhões aos cofres públicos. O executivo argumentava que o auxílio-refeição possui natureza indenizatória, destinado unicamente a ressarcir despesas com alimentação durante o exercício efetivo do cargo.

Leite também mencionou a submissão do estado ao Regime de Recuperação Fiscal como agravante da situação financeira. Conforme sua avaliação, a medida comprometeria o planejamento financeiro do Executivo e violaria princípios de responsabilidade fiscal.

Controvérsia sobre a verba alimentar

A decisão judicial questionada reconheceu aos servidores públicos estaduais o direito de receber o auxílio-refeição durante as férias remuneradas. Além disso, incluiu essa verba no cálculo do terço constitucional de férias, aumentando significativamente o benefício total recebido pelos funcionários estaduais.

O governador argumentava que essa interpretação contrariava a legislação estadual sobre a matéria e interrompia entendimento consolidado historicamente na Justiça gaúcha sobre o tema específico.

Requerimentos não concedidos

Em caráter liminar, o estado havia solicitado a suspensão dos efeitos da decisão questionada. Também buscava o arquivamento de todos os processos judiciais e execuções relacionados ao tema, tanto provisórias quanto definitivas que estivessem em curso.

No mérito, Leite pedia que o STF afastasse a inclusão do auxílio-refeição da base de cálculo das férias e do terço constitucional para servidores ativos civis e militares do estado. A rejeição da ação, contudo, mantém a decisão anterior vigente.

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