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Plenário do Senado Federal

Senado aprova por unanimidade PL Antifacção com tributação sobre apostas online

Há 11 meses
Atualizado quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Texto destina até R$ 30 bilhões por ano para segurança pública; proposta volta à Câmara dos Deputados

O Senado aprovou por unanimidade, na quarta-feira (10), o Projeto de Lei conhecido como PL Antifacção, que institui medidas mais rígidas de combate ao crime organizado no Brasil. A proposta, de autoria do governo federal, recebeu alterações do relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), e por isso deverá retornar à Câmara dos Deputados para nova análise.

O texto reúne uma série de dispositivos que reforçam a repressão a facções e milícias, além de criar uma fonte inédita de financiamento para políticas de segurança pública, com a tributação do setor de apostas esportivas online — as chamadas bets.

Apostas online financiarão combate às facções

A principal inovação do projeto é a criação da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) sobre as apostas esportivas. A alíquota será de 15% sobre os valores transferidos pelos apostadores para as plataformas de apostas. Segundo estimativas do relator, a arrecadação pode alcançar R$ 30 bilhões por ano.

Esses recursos serão destinados ao Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP), com uma rubrica específica voltada ao combate ao crime organizado, milícias e fortalecimento do sistema prisional. A proposta prevê que os valores sejam utilizados tanto para prevenção quanto para repressão.

Crime de facção é tipificado com penas elevadas

Outro ponto central do PL é a tipificação do crime de facção criminosa, definida como a organização que exerce domínio territorial ou atua em mais de um Estado, com base em intimidação, violência ou coação. O texto equipara as milícias privadas às facções criminosas, garantindo tratamento igual no âmbito penal.

As penas previstas variam de 15 a 30 anos de reclusão, podendo ser dobradas para os líderes das organizações, o que pode resultar em sentenças superiores a 60 anos.

Bens apreendidos e banco de dados nacional

O projeto estabelece ainda regras para o perdimento de bens vinculados, direta ou indiretamente, a atividades criminosas, mesmo antes da conclusão dos processos. O destino desses bens passa a ser definido pela Justiça responsável pelo caso, em vez de seguir diretamente para fundos estaduais, como havia sido aprovado anteriormente na Câmara.

Outra medida relevante é a criação de forças-tarefas integradas, nos moldes da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco), além de um banco de dados nacional com informações sobre membros e empresas associadas a organizações criminosas.

Coaf e investigações mais ágeis

Atendendo a uma sugestão do senador Fabiano Contarato (PT-ES), o texto também amplia o acesso das autoridades de segurança aos relatórios de inteligência financeira do Coaf. A partir de agora, delegados de polícia e membros do Ministério Público poderão requisitar diretamente essas informações, desde que haja uma investigação previamente autorizada pela Justiça, sem a necessidade de autorização judicial adicional.

Tentativa de emenda antiterrorismo foi rejeitada

Durante a votação no plenário, senadores da oposição tentaram incluir uma emenda para equiparar facções a organizações terroristas, mas a proposta, já rejeitada na Câmara, não avançou no Senado. “A matéria foi aprovada por unanimidade na Casa, com apoio expresso de governo e oposição. Essa é uma matéria dos brasileiros”, declarou Alessandro Vieira ao final da sessão.

A expectativa é que, como o texto foi construído em diálogo com o relator na Câmara, deputado Guilherme Derrite (PP-SP), a nova votação ocorra sem grandes alterações.

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