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Congressistas dos EUA querem reunião hoje com Meta para cobrar explicações sobre eleições no Brasil

Há 1 hora
Atualizado sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Da Redação

Treze parlamentares dos Estados Unidos solicitaram uma reunião técnica com representantes da Meta para esta sexta-feira (23), a fim de cobrar explicações sobre suspeitas de favorecimento à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) nas redes sociais. O pedido foi encaminhado ao presidente-executivo da empresa, Mark Zuckerberg, em carta divulgada na quinta-feira (22), a dois dias do segundo turno das eleições presidenciais brasileiras. Até o momento, não há confirmação pública de que o encontro tenha sido realizado ou aceito pela companhia.

A iniciativa é liderada pela deputada democrata Pramila Jayapal e tem a participação do senador independente Bernie Sanders e de outros 11 deputados democratas. Os congressistas também estabeleceram prazo até 4 de novembro para que a Meta responda formalmente a seis conjuntos de questionamentos sobre suas plataformas.

Parlamentares querem acesso aos dados internos

Na carta, divulgada no site oficial de Jayapal, os congressistas manifestam preocupação com relatos de restrições à circulação de conteúdos da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto publicações relacionadas a Flávio Bolsonaro teriam recebido maior visibilidade no Facebook, Instagram e WhatsApp.

Os parlamentares querem saber quais critérios a Meta utiliza para moderar, distribuir e recomendar conteúdos políticos, além das providências adotadas para assegurar tratamento igualitário às candidaturas. Também solicitam informações sobre o cumprimento das determinações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Outro pedido envolve a possibilidade de uma auditoria independente nos sistemas da empresa. Os congressistas querem que especialistas tenham acesso a dados internos de moderação e distribuição de conteúdos relacionados às eleições brasileiras, para verificar eventuais diferenças de tratamento.

Carta questiona contatos com governo Trump

Um dos pontos centrais do documento é a cobrança de esclarecimentos sobre possíveis comunicações entre a Meta e integrantes do governo de Donald Trump a respeito das eleições brasileiras, da atuação do Judiciário e de propostas de regulamentação das plataformas digitais.

Os parlamentares solicitam que a empresa informe se esses contatos ocorreram e, em caso positivo, apresente os registros correspondentes. A carta não afirma que houve interferência do governo americano, mas pede informações para esclarecer a questão.

A iniciativa ocorreu depois que organizações da sociedade civil brasileira recorreram ao Congresso dos Estados Unidos para solicitar uma investigação sobre a atuação da Meta. Entre elas estão o Instituto Vladimir Herzog e a organização CTRL+Z, que apresentou relatos de usuários sobre bloqueios de contas e restrições de alcance.

Restrições à campanha de Lula motivaram cobrança

O documento menciona a desativação da conta de anúncios da campanha de Lula no Facebook, em 23 de setembro, e a impossibilidade de impulsionar publicações no Instagram por quase 24 horas, entre 9 e 10 de outubro. Segundo estimativa da campanha petista, o segundo episódio teria impedido que anúncios alcançassem aproximadamente 1,3 milhão de pessoas.

Os congressistas também citam relatos de recomendações algorítmicas favoráveis ao perfil de Flávio Bolsonaro e a um canal de WhatsApp associado à sua candidatura. Outro episódio mencionado envolve testes nos quais uma ferramenta de inteligência artificial da Meta teria produzido material favorável a Flávio, mas recusado solicitações semelhantes em apoio a Lula.

A Meta nega interferência política nas eleições brasileiras. A empresa atribui os problemas relatados a falhas técnicas, afirma que episódios semelhantes atingiram anunciantes de diferentes orientações políticas e sustenta que seus sistemas aplicam as mesmas regras a todos os candidatos.

Cobrança ocorre após decisões do TSE

A manifestação dos parlamentares americanos acontece em meio a procedimentos abertos na Justiça Eleitoral brasileira. O TSE determinou que a Meta assegure tratamento isonômico às candidaturas e preste esclarecimentos sobre o funcionamento de seus mecanismos de distribuição de conteúdos.

Em 20 de outubro, a empresa informou à Justiça Eleitoral que havia adotado 17 medidas para cumprir as determinações, incluindo a revisão humana de restrições automatizadas. Na quinta-feira (22), o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, deu prazo de 12 horas para a apresentação de dados técnicos sobre o alcance de publicações de Nikolas Ferreira e outros perfis investigados, sob pena de multa de R$ 100 mil por hora de atraso.

A cobrança dos congressistas americanos é independente dos procedimentos judiciais brasileiros. Enquanto o TSE examina o cumprimento da legislação eleitoral, os parlamentares buscam informações sobre a atuação de uma empresa sediada nos Estados Unidos. As suspeitas de favorecimento político ainda não foram definitivamente comprovadas pela Justiça Eleitoral.

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