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Ataque contra o Irã estimulará radicalismo na região, diz Celso Amorim

Há 7 meses
Atualizado segunda-feira, 2 de março de 2026

O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, afirmou que o ataque de Estados Unidos e Israel contra o Irã deve inaugurar um período de maior radicalização no Oriente Médio. Ele avaliou que a ofensiva tende a ampliar antagonismos regionais e pode desencadear uma guerra híbrida, com reflexos prolongados. Amorim evitou antecipar se o tema será tratado no encontro entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, previsto para este mês, em Washington.

Radicalização e risco de guerra híbrida

Amorim disse não arriscar uma previsão sobre a duração do conflito, mas demonstrou convicção de que o episódio agravará tensões já existentes.

Segundo ele, a paz internacional, que já enfrentava abalos com guerras e incertezas em diferentes regiões, sofre novo impacto com o ataque a um país de 80 milhões de habitantes.

O assessor afirmou que a ofensiva pode estimular reações de aliados iranianos no Oriente Médio. Ele citou os xiitas, maioria no Iraque e no Bahrein, mas alijados do poder, além dos alauítas na Síria.

Para Amorim, esse contexto amplia o potencial de conflito e favorece a configuração de uma guerra híbrida, com estímulo a grupos radicais.

“Grande Israel” e influência sobre os EUA

O diplomata atribuiu o ataque, em última instância, ao que chamou de contaminação da visão norte-americana pela ideia de “Grande Israel”.

Ele mencionou declarações do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, como parte da explicação para a decisão americana.

Amorim relatou que, em visitas a Israel, ouviu críticas recorrentes ao Irã, mesmo entre defensores de negociações com a Palestina. Na avaliação dele, essa percepção influenciou os Estados Unidos.

Ele observou ainda que, em sua visão, nem mesmo George W. Bush teria ido tão longe, apesar da invasão do Iraque sem aprovação do Congresso.

Notas do Itamaraty e cautela sobre encontro

Após o ataque, o Itamaraty divulgou nota condenando a ofensiva e manifestando “grave preocupação”, com apelo à “máxima contenção”.

Em comunicado posterior, o ministério reiterou a condenação a medidas que violem a soberania de países do Oriente Médio e expressou solidariedade a nações atingidas por ações retaliatórias.

Amorim evitou antecipar qual será a posição levada por Lula ao encontro com Trump. “Ainda não nos falamos”, afirmou, lembrando que o presidente estava em Minas Gerais no dia do ataque.

Ele ressaltou que qualquer avaliação sobre o impacto do conflito na reunião bilateral seria, por ora, apenas opinião pessoal.

Reações internacionais e sucessão no Irã

Sobre a reação de potências como Rússia e China, Amorim afirmou que ambos os países condenaram o ataque, mas não acredita que entrem diretamente na guerra.

Ele destacou que o Irã é fornecedor relevante de petróleo para a China e recebe investimentos russos, o que adiciona complexidade ao cenário.

Questionado sobre a sucessão do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, Amorim disse ser cedo para avaliar se haverá radicalização maior, mas ponderou que o uso da força deixa marcas duradouras.

Para ele, o que se deve lamentar é o “uso ilegal da força contra um país”, ressaltando que, naquele contexto, tratava-se de um líder legítimo.

Potencial de conflito ampliado

Amorim apontou que a composição religiosa e política de países como Iraque e Bahrein amplia o risco de instabilidade.

No caso do Bahrein, governado por sunitas com maioria xiita, o cenário pode favorecer tensões internas.

Ele avaliou ainda que a associação dos conflitos regionais com Israel agrava o ambiente político e compromete iniciativas diplomáticas.

Na visão do assessor, o potencial de radicalização tende a crescer, dificultando esforços internacionais de estabilização.

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