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STF mantém constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa em decisão sobre inelegibilidade por homicídio

Há 2 meses
Atualizado quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Da Redação

O Supremo Tribunal Federal confirmou a validade da Lei da Ficha Limpa ao rejeitar ação que questionava a aplicação retroativa de inelegibilidade para condenados por crimes contra a vida. O ministro Luiz Fux, relator da Ação Direta de Inconstitucionalidade 7.770, votou pela improcedência do pedido, mantendo precedentes já consolidados pela Corte sobre o tema desde 2012.

A disputa sobre retroatividade da Lei da Ficha Limpa

O Partido Progressista argumentava que a extensão da inelegibilidade para delitos contra a vida e dignidade sexual violava o princípio constitucional da irretroatividade das leis penais. Segundo o partido, essa restrição não existia antes de 2010, quando a Lei Complementar 135 foi sancionada, impossibilitando sua aplicação retroativa.

A ação tinha como pano de fundo o caso concreto do candidato Valdir Padilha, que tentava se eleger vereador no município de São José do Herval, no Rio Grande do Sul, mas teve sua candidatura indeferida pela aplicação da Lei da Ficha Limpa por condenação anterior à vigência da lei.

Jurisprudência já consolidada prevalece na Corte

Fux recorreu à jurisprudência consolidada nas Ações Declaratórias de Constitucionalidade 29 e 30, bem como na ADI 4.578, todas de sua relatoria, julgadas em 2012. Naquele momento, o Tribunal havia afirmado a constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa e sua aplicabilidade a ilícitos anteriores à sua edição.

O ministro ressaltou que a controvérsia era praticamente idêntica àquela já decidida há mais de uma década. Por essa razão, aplicar jurisprudência diferente comprometeria a segurança jurídica do sistema eleitoral e a estabilidade das decisões da Corte.

Inelegibilidade não é sanção penal, sustenta Fux

A tese central do voto de Fux diferencia inelegibilidade de sanção criminal. Para o ministro, as hipóteses de inelegibilidade constituem requisitos negativos de adequação do indivíduo ao regime jurídico eleitoral, não se equiparando a penas ou sanções penais.

Nessa perspectiva, a aplicação da lei a fatos pretéritos não caracteriza retroatividade autêntica da lei penal, mas sim retroatividade inautêntica ou retrospectividade, já admitida pela jurisprudência em outras áreas, como estatutos funcionais de servidores públicos.

Segurança jurídica eleitoral em foco

Fux enfatizou a importância da segurança jurídica no âmbito eleitoral, destacando o artigo 16 da Constituição Federal, que impõe regimes de transição para alterações no processo eleitoral. Sem essa estabilidade, a jurisprudência correria risco de se tornar imprevisível.

O ministro citou posições doutrinárias sobre a função dos precedentes na eficiência do sistema de justiça, argumentando que decisões bem fundamentadas respeitadas em julgamentos posteriores minimizam conflitos e aumentam a confiabilidade das instituições judiciais.

Pedido concreto de diplomação não cabe em ADI

Fux também indeferiu o pedido específico de diplomação de Valdir Padilha, afirmando ser incompatível com a natureza das Ações Diretas de Inconstitucionalidade, que examinam normas em abstrato, não situações jurídicas individuais e concretas.

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