Da Redação
A Polícia Federal (PF) investiga o ex-ministro da Economia Paulo Guedes e o empresário Fábio Lino de Almeida, dono da OnilX, por suspeita de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. A investigação tramita sob segredo de justiça mas foi descoberta por jornalistas e confirmada por agentes da corporação.
Guedes e Almeida estão sendo investigados em um inquérito aberto em fevereiro deste ano e que tramita sob sigilo na Justiça Federal do Paraná.
Linha de frente da OnilX
Em 24 de setembro, informações divulgadas por vários veículos acusaram Paulo Guedes de ter atuado na linha de frente da OnilX, empresa que tem dado calote em dezenas de investidores que aportaram seus recursos em criptomoedas diante da promessa de rendimentos de até 2,8% ao mês.
O ex-ministro da Economia prestou consultoria à companhia, participou de reuniões estratégicas, recebeu potenciais investidores em conversas privadas e teve a imagem utilizada em materiais de divulgação da empresa.
Palestras para investidores
Guedes também participou de palestras para investidores e assessores da OnilX. Em uma delas, para uma plateia de quase 500 pessoas, elogiou a empresa e afirmou que ela teria papel central no avanço do mundo digital.
A relação do empresário com o ex-ministro chegou a aparecer em processos movidos por investidores. Um casal que cobra R$ 876,5 mil da empresa afirmou à Justiça que decidiu manter e aumentar os investimentos depois de participar de uma reunião com Guedes na sede da OnilX, em abril. Quatro meses depois, segundo os investidores, houve tentativa de resgate dos valores, sem sucesso.
Citação em outro processo
Em outro processo, uma assessora da empresa citou Guedes ao tentar convencer um potencial cliente a investir. Segundo a mensagem anexada aos autos, ela dizia que o ex-ministro “está dentro da empresa” e que seria possível marcar uma reunião com ele para discutir estratégias caso o interessado tivesse entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões para aplicar.
A OnilX, por sua vez, passou a enfrentar problemas regulatórios e judiciais. Em janeiro, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) determinou a suspensão de ofertas públicas de serviços de intermediação de valores mobiliários pelo grupo.
Esclarecimento do colegiado
Em abril, o colegiado da autarquia manteve a ordem, mas esclareceu que ela não alcançava a simples intermediação de criptoativos, como Bitcoin, Ethereum e USDT, quando não houvesse promessa de rendimento ou contrato de investimento.
O inquérito policial foi autuado em 10 de fevereiro na 9ª Vara Federal de Curitiba. O processo é classificado como criminal e tem como assunto principal “crimes contra o Sistema Financeiro Nacional”, previstos na Lei nº 7.492/1986. A investigação está sob responsabilidade da Polícia Federal no Paraná, com participação do Ministério Público Federal.
— Com Agências de Notícias