Da Redação
O Palácio do Planalto orientou ministros e auxiliares a não elevar o tom ao comentar a ida do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos, depois da derrota dele para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições. A estratégia é tratar o caso como responsabilidade da Justiça e da Polícia Federal (PF) e evitar o discurso de perseguição política.
A recomendação teria sido dada pelo ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), Sidônio Palmeira. A ideia é que integrantes do governo comentem o assunto o mínimo possível e, quando falarem, destaquem que a situação do senador está nas mãos das instituições responsáveis pela investigação.
Não dar força à narrativa de perseguição
A principal preocupação do governo petista é não dar força à narrativa de que a família Bolsonaro estaria sendo perseguida pelo Executivo. Ao se afastar do caso, o Planalto tenta reduzir desgastes políticos em um momento delicado, logo após o resultado das urnas.
Na prática, a mensagem que o governo quer passar é simples: não cabe ao presidente nem aos ministros decidir o destino de Flávio. Quem conduz o caso são o Judiciário e a PF.
O que motivou a proibição de deixar o país
A viagem do senador representa o descumprimento de uma decisão judicial. Flávio estava proibido de sair do Brasil por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A medida foi adotada depois que a Polícia Federal alertou para o risco de fuga. O parlamentar é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, que é o envio irregular de recursos para fora do país.
Vistos americanos acenderam alerta
A chegada de Flávio aos Estados Unidos ocorreu depois que a Casa Branca informou que o Departamento de Estado concederia vistos a ele e à família para entrar e permanecer no país. O gesto foi interpretado como mais uma demonstração de apoio do governo norte-americano ao clã Bolsonaro.
O episódio aumentou a tensão entre Brasília e Washington. Ainda assim, o Planalto e o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) defendem que o tema não seja politizado e pedem cautela em eventuais reações contra o governo dos EUA.
Itamaraty prefere não se envolver
Para diplomatas do Itamaraty a diplomacia brasileira não deve atuar no caso, pelo menos por enquanto. Na avaliação deles, o episódio precisa ser acompanhado com prudência e analisado do ponto de vista jurídico, para não criar atritos com os norte-americanos.
Segundo essas fontes, a situação é considerada uma questão exclusiva do Poder Judiciário. Elas lembram que o Executivo e o Itamaraty adotaram a mesma postura de não interferência em casos anteriores de foragidos da Justiça brasileira.
Eduardo Bolsonaro também vive nos EUA
Um desses casos envolve o próprio irmão do senador, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. Ele foi condenado a quatro anos e seis meses de prisão por coação no curso do processo, crime relacionado à sua atuação para conseguir sanções dos EUA contra autoridades brasileiras.
Eduardo está em território norte-americano desde fevereiro do ano passado, quando deixou o mandato na Câmara dos Deputados. Agora, com a chegada de Flávio, dois filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro passam a residir no país.