Ministro André Mendonça diz que TSE não atuará como ‘arbitro’ de acordo sobre quebra de sigilos – – –
Gilmar Mendes anula aposentadoria compulsória aplicada pelo CNJ a juiz de Roraima – – –
Floriano limita poder de Nunes Marques e leva disputa sobre canal de Lula ao Plenário do TSE – – –
STF valida mediação e conciliação em delegacias da Polícia Civil de São Paulo – – –
TCU aprova acordo para concessão da malha Nordeste da Ferrovia Transnordestina, com indenização por trechos inoperantes – – –
Diretora de presídio feminino no Rio é presa por desvio de 70 kg de alimentos – – –
TSE informa, em nota, que não determinará a retirada de nenhum canal de WhatsApp do ar – – –
Propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV termina nesta sexta-feira (23) – – –
TRF3 e Mackenzie lançam plataforma para localizar intérpretes forenses – – –
Congressistas dos EUA querem reunião hoje com Meta para cobrar explicações sobre eleições no Brasil – – –
Alice Rocha

Alice Rocha: A atuação da China na construção de “Multilateralismo Paralelo” à Governança das Organizações Internacionais

Há 1 ano
Atualizado sexta-feira, 27 de março de 2026

A ordem internacional contemporânea enfrenta uma crise de eficácia e legitimidade das organizações internacionais (OIs) tradicionais, impulsionando o surgimento de um “multilateralismo paralelo” manifestado em blocos regionais e acordos plurilaterais fora das estruturas convencionais. Este artigo analisa esse fenômeno, focando na expansão da influência chinesa por vias marginais e como essa estratégia pode preencher lacunas da crise de governança das OIs.

Crise das Organizações Internacionais e “Multilateralismo Paralelo”

A governança global, centrada em OIs como ONU, OMC e FMI, enfrenta desafios que questionam sua relevância. A crise do multilateralismo tradicional inclui incapacidade de adaptação geopolítica e rigidez decisória dominada por potências ocidentais. A paralisia decisória e representatividade questionável marginalizam potências em desenvolvimento.

O “multilateralismo paralelo” ganha força através de grupos de países com interesses convergentes que buscam soluções fora ou em complemento às estruturas tradicionais. Esses arranjos oferecem flexibilidade e agilidade, promovendo governança mais horizontal. Esse “multilateralismo paralelo” não visa substituir as OIs, mas oferecer vias alternativas para cooperação, refletindo uma reconfiguração do poder global.

A Estratégia Chinesa

A China utiliza estruturas multilaterais e o “multilateralismo paralelo” para expandir sua influência, combinando investimentos em infraestrutura, acordos comerciais e diplomacia ativa em fóruns como BRICS e Organização de Cooperação de Xangai (OCX). A Iniciativa do Cinturão e Rota (BRI) conecta Ásia, Europa e África, reforçando a influência chinesa através de acordos bilaterais de infraestrutura.

No BRICS, a China defende a expansão do bloco, vendo-o como plataforma para uma ordem multipolar. A recente expansão do BRICS, incluindo parceiros da BRI, demonstra a capacidade de Pequim de moldar agendas de blocos emergentes. A China também usa o BRICS para cooperação financeira, com o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) como alternativa às instituições ocidentais.

Na Ásia-Pacífico, a China impulsiona a integração econômica. O Acordo de Parceria Econômica Abrangente Regional (RCEP), liderado pela China, fortalece cadeias de suprimentos e aprofunda a interdependência econômica. A expansão chinesa busca fortalecer sua influência política e estratégica, promovendo um modelo de desenvolvimento diferente do ocidental e construindo parcerias que desafiam a hegemonia ocidental.

“Multilateralismo Paralelo” como Resposta à Lacuna de Governança

A ascensão do multilateralismo paralelo é uma resposta proativa à lacuna de governança global. Diante de desafios transnacionais complexos (pandemias, mudanças climáticas, IA), as estruturas multilaterais tradicionais mostram-se insuficientes. O “multilateralismo paralelo” permite que grupos de países com interesses convergentes avancem em agendas específicas, sem necessidade de consenso universal.

Contribui para uma governança global mais inclusiva, permitindo que potências emergentes e o Sul Global assumam papel proeminente. O BRICS, ao focar em saúde global e IA, demonstra capacidade de construir consensos e desenvolver iniciativas que atendem às necessidades de uma parcela significativa da população mundial.

Conclusão

A emergência do “multilateralismo paralelo”, com blocos como o BRICS, reconfigura a governança global como resposta à crise de legitimidade das OIs tradicionais. A China usa esses arranjos (RCEP, BRI) para expandir sua influência econômica e política, promovendo uma ordem multipolar.

Essa construção não é uma ameaça às OIs, mas um catalisador para sua reforma. O desafio é equilibrar a autonomia dos arranjos paralelos com a universalidade das OIs, evitando fragmentação. O futuro do multilateralismo dependerá da capacidade de construir pontes entre esses níveis de governança, visando uma ordem internacional mais justa e eficaz.

Autor

  • Alice Rocha

    A Advogada Alice Rocha, Doutora em Direito Internacional e ProfessoraAlice Rocha é Doutora em Direito Internacional e Professora

Leia mais

Ministro André Mendonça, do TSE

Ministro André Mendonça diz que TSE não atuará como ‘arbitro’ de acordo sobre quebra de sigilos

Há 19 horas
Ministro Gilmar Mendes, do STF

Gilmar Mendes anula aposentadoria compulsória aplicada pelo CNJ a juiz de Roraima

Há 21 horas

Floriano limita poder de Nunes Marques e leva disputa sobre canal de Lula ao Plenário do TSE

Há 21 horas

STF valida mediação e conciliação em delegacias da Polícia Civil de São Paulo

Há 21 horas
Trecho da construção da Ferrovia Transnordestina

TCU aprova acordo para concessão da malha Nordeste da Ferrovia Transnordestina, com indenização por trechos inoperantes

Há 22 horas

Diretora de presídio feminino no Rio é presa por desvio de 70 kg de alimentos

Há 22 horas