Da Redação
Mensagens encontradas pela PF no celular do ex-banqueiro mencionam o procurador-geral; sessão tem transmissão pelo YouTube.
O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) reúne-se nesta sexta-feira (25) para decidir se abre investigação contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet, citado em conversas que a Polícia Federal (PF) encontrou no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Até agora, são dois placares distintos.
Permanência no caso Master: 3 a 0
No pedido para afastar Gonet das investigações do caso Master, três conselheiros que já votaram rejeitaram a medida: o relator, Francisco Sanseverino, e os subprocuradores Janice Ascari e Celso Albuquerque.
Sanseverino sustentou que eventual impedimento ou suspeição do procurador-geral deve ser discutido no Supremo Tribunal Federal (STF), e não no conselho. Por isso, votou por não conhecer do pedido.
Apuração sobre a conduta: 2 a 1
No segundo ponto, Sanseverino e Albuquerque votaram pelo arquivamento. Para eles, faltam elementos mínimos que liguem Gonet a Vorcaro. O relator destacou que não há registro de conversa direta entre os dois, e que os contatos ocorriam por meio do advogado Ciro Soares.
Janice Ascari divergiu. Ela considerou que ainda não há base para uma investigação criminal, mas também não para arquivar o caso. “Subsistem questões factuais objetivas que recomendam a coleta de informações preliminares”, afirmou durante a sessão, ao propor que um membro do MPF faça diligências iniciais.
Investigação ou arquivamento
Se a maioria votar pela abertura da apuração, um subprocurador será designado para relatar a investigação contra Gonet por crime comum. Caso a maioria rejeite a proposta, o caso poderá ser arquivado.
As mensagens de Vorcaro
Preso, Vorcaro teve o celular apreendido pela PF. As conversas vieram a público depois que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo de parte da investigação.
Esse trecho do inquérito também reúne mensagens enviadas pelo ex-banqueiro a um celular atribuído ao ministro Alexandre de Moraes. Segundo a PF, os envios se intensificaram nos dias anteriores à prisão, em 17 de novembro de 2025.
Em 15 de novembro, Vorcaro demonstrou preocupação com o avanço das investigações, então na primeira instância da Justiça Federal em Brasília, e mencionou Gonet e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
“Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso. Isso em Brasília?”, escreveu o ex-banqueiro, em mensagem encontrada pela PF. Apesar da menção, não há indícios de que Gonet ou Andrei tenham interferido nas apurações.
Foto em Londres
Na semana passada, o jornal O Globo publicou uma foto em que Gonet aparece fumando charuto ao lado de Vorcaro e de outras pessoas ligadas ao ex-banqueiro.
A imagem foi registrada em abril de 2024, em Londres, durante um evento jurídico promovido pelo Master, banco que pertencia a Vorcaro.
Pedido de anulação
Depois da divulgação das conversas, Gonet pediu ao STF que anule o relatório da PF em que as citações aparecem. Para o procurador-geral, Mendonça investigou Moraes de forma ilegal.
A crítica se refere à decisão do ministro de aprofundar a apuração do caso Master para detalhar as conversas entre Moraes e o ex-banqueiro. Na avaliação de Gonet, esse passo dependeria de autorização do plenário da Corte.
O pedido de anulação estava previsto para ser julgado na última quarta-feira (23), mas a sessão foi desmarcada e ainda não há nova data divulgada.
O que diz Gonet
O procurador-geral nega ter proximidade com Vorcaro. Conforme noticiou a Agência Brasil, Gonet afirmou que sua interação com o ex-banqueiro ocorreu de forma “brevíssima e banal”.
Informações com agências de notícias.