Da Redação
Pela primeira vez, desde os episódios desta semana que acirraram ainda mais a crise institucional observada há meses no Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva se manifestou sobre o tema nesta quarta-feira (09/09).
Lula, que ontem evitou falar sobre a questão quando perguntado por jornalistas em ato no Palácio do Planalto, desta vez usou a rede social X (antigo Twitter) para deixar seu recado. Afirmou que, “diante da gravidade do maior crime financeiro da história do Brasil, o povo brasileiro precisa de explicações e medidas imediatas para enfrentar a crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário”.
Transparência, não vazamentos seletivos
“Se faz necessário mais transparência e não vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral. A divulgação da verdade, como aconteceu na Operação Spoofing, conduzida pelo então ministro do STF Ricardo Lewandowski, é um exemplo a ser seguido”, acentuou.
A Operação Spoofing foi uma investigação da Polícia Federal, deflagrada em 23 de julho de 2019, para apurar a invasão de celulares e contas do aplicativo Telegram de autoridades públicas. Entre os alvos dos hackers estavam o então ministro da Justiça e Segurança Pública na época, Sergio Moro, procuradores da Operação Lava Jato (como Deltan Dallagnol), magistrados e outras autoridades
Urgência na quebra de sigilo dos envolvidos
Lula ainda afirmou que considera urgente “a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer”. “O Brasil precisa saber a verdade”, finalizou.
A crise ficou mais acirrada depois que, na última semana, vazamentos de trechos de relatórios apontaram que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro trocou várias mensagens com o ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Afastamento e retorno do diretor-geral da PF
Nesta terça-feira (08/09) o ministro André Mendonça, relator do caso referente às irregularidades no Banco Master proferiu decisão monocrática afastando provisoriamente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de inteligência da Corporação, Leandro Almada.
O argumento de Mendonça foi de que a PF teria produzido seis relatórios durante o mês de agosto, nos quais foram feitos monitoramentos ilegais dele próprio e do advogado-geral da União, Jorge Messias, além de outros agentes públicos.
O ministro também afirmou que foram feitas apurações com base em suspeitas levantadas por documentos que considerou apócrifos e montados a partir de falsos dados e determinou a apuração de um inquérito para investigar tais relatórios. Na manhã desta quarta-feira (09/09), decisão do ministro Flávio Dino, também do STF, reconduziu Andrei Rodrigues à direção-geral da PF.
STF sem sessões plenárias nesta quarta-feira (9)
Em racha institucional, o STF já avisou que não realizará sessões plenárias nesta tarde. Enquanto isso, entidades da sociedade civil, do empresariado e até mesmo da advocacia estão pressionando o STF por maior clareza nas investigações.
Essas entidades, com milhares de signatários pedem, entre outros itens, a criação de um código de conduta para o Judiciário e pela realização de uma ampla reforma neste Poder da República.