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A foto mostra o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Ele é um homem pardo, calvo e usa terno preto.

Moraes e Zanin votam para tornar réu ex-assessor acusado de vazar informações sigilosas do STF e TSE

Há 12 meses
Atualizado sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Por Carolina Villela

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta sexta-feira (7) para tornar réu seu ex-assessor no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Eduardo Tagliaferro, acusado de vazar informações sigilosas de processos em tramitação nas duas Cortes. O julgamento da Petição 12936 pela Primeira Turma do STF ocorre no plenário virtual e se estende até o dia 14 de novembro.

Até o momento, Moraes foi acompanhado pelo ministro Cristiano Zanin, que também votou pelo recebimento da denúncia. Ainda faltam os votos dos ministros Flávio Dino e Cármen Lúcia para que a decisão seja concluída. Tagliaferro foi denunciado pelo Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, por quatro crimes: violação de sigilo funcional, coação no curso do processo, obstrução de investigação envolvendo organização criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Compartilhamento de conversas privadas com a imprensa

Segundo a acusação apresentada pela Procuradoria-Geral da República, o ex-assessor teria compartilhado com a imprensa conversas de caráter privado mantidas com outros servidores dos dois tribunais. Por comandar a Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE, ele tinha acesso a informações sensíveis e sigilosas, o que teria favorecido o vazamento.

Na época, a divulgação das informações levantou questionamentos públicos sobre a legalidade de decisões proferidas por Moraes em relação a pessoas investigadas em inquéritos que apuram ataques ao Supremo Tribunal Federal. O gabinete de Alexandre de Moraes negou qualquer irregularidade nos procedimentos adotados e o ministro recebeu o apoio público dos demais ministros da Corte.

Para o Procurador-Geral da República, o ex-assessor teria agido com “intenções pessoais”, para desestabilizar o processo eleitoral brasileiro e impulsionar a disseminação de notícias falsas. O objetivo final das ações de Tagliaferro, segundo Gonet, seria “potencializar reações ofensivas contra o legítimo trabalho das autoridades brasileiras responsáveis pelas investigações e ações penais que seguem em curso regular”. O PGR destacou que as condutas atribuídas ao ex-assessor teriam como propósito minar a credibilidade das instituições e dificultar o trabalho das autoridades competentes.

Ex-assessor vive na Itália e alega perseguição

Tagliaferro possui dupla nacionalidade e atualmente mora na Itália. Em entrevistas à imprensa, ele alega ser alvo de perseguição política por parte do ministro Alexandre de Moraes. O ex-assessor afirma possuir provas de irregularidades na condução de processos sob a relatoria do ministro, embora não tenha apresentado tais documentos formalmente.

A pedido de Moraes, o governo brasileiro solicitou oficialmente à Itália a extradição de Tagliaferro, para que ele possa responder no Brasil ao processo criminal em que é acusado. A audiência, que pode definir se ele retornará ou não ao país, foi agendada pela Justiça italiana para o dia 17 de dezembro.

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