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Europa reage às ameaças de Trump e defende soberania da Groenlândia

Há 10 meses
Atualizado quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Líderes europeus manifestam apoio à Groenlândia após novas declarações de Trump sobre possível anexação do território dinamarquês

A União Europeia se mobilizou nesta terça-feira (6) em defesa da Groenlândia, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltar a ameaçar a soberania do território autônomo dinamarquês. A nova escalada ocorre no rastro da controversa captura de Nicolás Maduro, ex-presidente da Venezuela, que fortaleceu a postura agressiva de Trump no cenário internacional.

Em comunicado conjunto com a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, líderes de países como França, Alemanha, Reino Unido e Polônia alertaram para os riscos à estabilidade internacional e reforçaram a importância da cooperação dentro da OTAN. O documento ressaltou que a segurança no Ártico — onde está situada a Groenlândia — deve ser garantida com base nos princípios da Carta da ONU, como a soberania e a integridade territorial.

Europa se une em torno da Dinamarca e da Groenlândia

“Greenland belongs to its people” — “A Groenlândia pertence ao seu povo” — diz o comunicado assinado pelos chefes de Estado europeus. A frase resume o espírito de solidariedade expressa por diversos líderes, que reafirmaram que apenas Dinamarca e Groenlândia têm o direito de decidir sobre o futuro do território.

A resposta da Europa vem em um momento de tensão crescente, após declarações do presidente norte-americano a bordo do Air Force One, no domingo (4). “Precisamos da Groenlândia do ponto de vista da segurança nacional”, afirmou Trump aos jornalistas.

Além de sua posição estratégica no Ártico, a Groenlândia possui vastas reservas de minerais raros, essenciais para a produção de baterias, celulares e outros itens de alta tecnologia. O interesse de potências globais pela região cresce à medida que as mudanças climáticas tornam o Ártico mais acessível.

Declarações inflamadas reforçam clima de confronto

Stephen Miller, conselheiro influente de Trump, reforçou o tom agressivo do governo em entrevista à CNN. Questionado pelo jornalista Jake Tapper sobre a possibilidade de uso da força militar, Miller evitou descartar a hipótese e afirmou: “Ninguém vai enfrentar militarmente os Estados Unidos pelo futuro da Groenlândia”.

Ele acrescentou ainda que “o mundo real é governado pela força e pelo poder”, em uma declaração que repercutiu mal entre diplomatas europeus. A retórica alarmou autoridades, especialmente após Frederiksen afirmar que as ameaças, se concretizadas, poderiam significar o colapso da OTAN.

Apoio de Canadá e articulação internacional

O primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, também assinou o comunicado europeu e disse que o tema deve dominar a próxima reunião sobre a segurança da Ucrânia. “A Dinamarca pode contar com a solidariedade de toda a Europa”, declarou ele, em Varsóvia.

O Canadá, por sua vez, sinalizou apoio explícito à Groenlândia. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, encontrou-se com Mette Frederiksen e o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, em Paris. Em fevereiro, a ministra das Relações Exteriores do Canadá, Anita Anand, e a governadora-geral, Mary Simon, devem visitar a Groenlândia para inaugurar um consulado canadense.

Em resposta ao apoio internacional, o premiê groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, divulgou nota em que apela ao governo dos EUA por “diálogo respeitoso pelos canais diplomáticos corretos”. Nielsen afirmou ainda que as ameaças da administração Trump violam “princípios básicos do direito internacional”.

Escalada de tensões gera alerta global

A situação evidencia o aumento das tensões geopolíticas no Ártico e o desafio que o segundo mandato de Trump representa para a ordem internacional. Ao mirar a Groenlândia, o presidente americano reacende um antigo desejo de anexação — ideia já expressa por ele em outras ocasiões —, mas agora com respaldo de ações recentes que sinalizam pouca disposição para o diálogo.

A Europa, ao se posicionar firmemente, sinaliza que a disputa não será ignorada. Resta saber se os Estados Unidos manterão o tom beligerante ou se cederão à pressão diplomática internacional.

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