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Grupo Fictor

Grupo Fictor pede recuperação judicial

Há 9 meses
Atualizado terça-feira, 3 de março de 2026

O Grupo Fictor, que protagonizou uma tentativa de adquirir o Banco Master em novembro de 2025, entrou com pedido de recuperação judicial neste domingo (1º), no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). A solicitação abrange a Fictor Holding e a Fictor Invest, deixando de fora subsidiárias como a Fictor Alimentos. O grupo declarou dívidas que somam R$ 4,257 bilhões.

Segundo a petição apresentada, a grave crise de liquidez enfrentada pela Fictor decorre da repercussão negativa após a tentativa de aquisição do Master, seguida pela liquidação do banco pelo Banco Central e a deflagração da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que prendeu preventivamente o controlador da instituição, Daniel Vorcaro.

Crise começa com proposta de aquisição e escândalo no dia seguinte

A proposta de compra do Banco Master foi anunciada pela Fictor em 17 de novembro, com promessa de um aporte de R$ 3 bilhões feito em conjunto com investidores árabes. A operação previa a realização de auditorias prévias e pagamentos escalonados, caso houvesse divergências no valor dos ativos do banco.

Menos de 24 horas depois, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, revelando fraudes bilionárias atribuídas ao banco e levando à prisão de Vorcaro. O escândalo ganhou grande repercussão nacional e internacional, provocando sérios danos reputacionais ao Grupo Fictor.

Imagem desgastada e saída em massa de investidores

A Fictor relatou que, após os eventos, passou a ser alvo de intensas matérias investigativas na imprensa, que deixaram de tratar o grupo apenas como potencial comprador para colocá-lo no centro das investigações. A crise de imagem comprometeu parcerias e relações comerciais, gerando uma onda de resgates em contratos e Sociedades em Conta de Participação (SCPs).

A petição indica que o grupo havia captado cerca de R$ 3 bilhões via SCPs antes do escândalo. Porém, até 31 de janeiro de 2026, aproximadamente 71,4% desses valores já haviam sido resgatados. A desconfiança também afetou as ações da Fictor Alimentos, que despencaram 50% na B3.

Dívidas bilionárias e bloqueio de ativos

O principal credor listado é a American Express, com R$ 893,2 milhões em dívidas ligadas ao cartão empresarial da fintech FictorPay. Esse cartão foi alvo de processo movido pela Orbitall, que alegou ausência de garantias financeiras e obteve na Justiça o bloqueio de R$ 150 milhões em ativos da Fictor.

Outro credor relevante é a Sefer, empresa envolvida na Operação Compliance Zero, com valor declarado de R$ 430 milhões. Em nota, a Sefer negou ser credora da Fictor e alegou atuar apenas como gestora de recursos de terceiros, sem oferecer crédito com capital próprio.

Impacto para o mercado e futuro do grupo

A situação da Fictor evidencia o impacto devastador que crises reputacionais podem causar em grandes conglomerados financeiros. Além das dificuldades operacionais e financeiras, o grupo agora busca reestruturar suas dívidas sob supervisão judicial para tentar preservar sua existência.

O pedido de recuperação judicial ocorre em um momento de crescente desconfiança em relação à governança de instituições financeiras não bancárias, acendendo o alerta para autoridades reguladoras e investidores. O desfecho do caso poderá servir de exemplo sobre os riscos envolvidos em operações de alto perfil e baixa transparência.

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