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CMN endurece regras para barrar bancos de risco na garantia do FGC

Há 6 meses
Atualizado sexta-feira, 24 de abril de 2026

Da Redação

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou um conjunto de regras que muda a forma como os bancos brasileiros captam dinheiro no mercado e administram seus recursos. As medidas atingem o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) — o “seguro” que protege quem investe em produtos bancários — e as exigências de liquidez, ou seja, a capacidade das instituições de honrar dívidas no curto prazo.

A decisão vem após episódios recentes, como o colapso do Banco Master no ano passado – e que alertaram para a solidez de parte do sistema financeiro nacional.

O que muda nas regras do FGC

O FGC funciona como uma rede de proteção para investidores. Se um banco quebrar, o fundo cobre até R$ 250 mil por CPF ou empresa, com teto de R$ 1 milhão a cada quatro anos. Essa garantia abrange produtos comuns como o CDB (Certificado de Depósito Bancário).

A principal novidade é a criação do chamado Ativo de Referência (AR), um indicador que mede a qualidade dos ativos de cada banco. Na prática, o índice verifica se a instituição possui investimentos que podem ser transformados em dinheiro rapidamente — o que sistema financeiro define como liquidez.

Pela nova regra, bancos que captarem muito dinheiro em produtos cobertos pelo FGC, mas que mantiverem ativos de baixa qualidade ou difíceis de vender, serão obrigados a investir parte desses recursos em títulos públicos, considerados mais seguros e de fácil conversão em caixa.

Por que essa mudança era necessária

O problema que o CMN quer combater tem nome técnico: risco moral. O conceito descreve uma situação em que alguém assume riscos maiores justamente porque sabe que existe uma proteção caso as coisas saiam errado. No caso dos bancos, a existência do FGC poderia estimular algumas instituições a captar recursos a qualquer custo — inclusive oferecendo rendimentos acima da média — sem se preocupar com a qualidade dos ativos que mantêm em carteira.

Foi exatamente isso o que aconteceu com o Banco Master, liquidado pelo Banco Central em 2025. A instituição atraía clientes com taxas generosas, amparada na garantia do FGC, mas mantinha boa parte do seu dinheiro em ativos de difícil venda, como precatórios — dívidas do governo com sentença judicial definitiva — e participações em empresas em situação financeira delicada.

Quando o desequilíbrio se tornou insustentável, o banco quebrou. O custo das liquidações ligadas ao caso chegou a R$ 51,8 bilhões, esgotando parte considerável das reservas do fundo.

Regras de liquidez mais rígidas para bancos médios e pequenos

Além das mudanças no FGC, o CMN também ampliou as exigências de liquidez para um número maior de instituições. O principal instrumento é a Razão de Cobertura de Liquidez (LCR, na sigla em inglês), indicador utilizado em todo o mundo que mede se um banco tem dinheiro suficiente para atravessar 30 dias em um cenário de estresse financeiro.

Até agora, a regra se aplicava apenas aos grandes bancos. Com as novas medidas, os bancos de médio porte também passarão a cumprir o LCR. Para os menores, haverá uma versão simplificada do indicador, batizada de LCRS, adaptada ao porte dessas instituições.

A transição será feita de forma gradual: em 2027, as instituições precisarão atingir pelo menos 90% das exigências; em seguida, o cumprimento deverá ser integral, chegando a 100%.

O que está em jogo para o investidor e para o sistema

As medidas aprovadas pelo CMN têm um duplo objetivo. De um lado, fortalecem a proteção de quem aplica dinheiro em produtos bancários. De outro, criam barreiras para que bancos usem a garantia do FGC como alavanca para assumir riscos exagerados sem consequências imediatas.

A expectativa do Banco Central do Brasil e do CMN é que as novas regras reduzam a chance de novos episódios semelhantes ao do Banco Master e aumentem a confiança geral no sistema financeiro. Em resumo: quem investe passa a ter mais segurança, e os bancos, menos margem para arriscar com o dinheiro dos investidores.

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