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Ativista brasileiro volta ao país após ser preso por Israel em navio humanitário

Há 6 meses
Atualizado terça-feira, 12 de maio de 2026

Da Redação

O ativista ambiental e de direitos humanos Thiago Ávila desembarcou na noite desta terça-feira (12) no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, após ser libertado de uma detenção considerada ilegal pelo governo brasileiro. Ele era um dos sete brasileiros a bordo da Global Sumud Flotilla (GSF), frota de ajuda humanitária ao povo palestino interceptada por militares israelenses.

Chegada atrasada e nova retenção

Esperado para as 16h, Ávila só deixou o aeroporto horas depois, retido nas dependências da Polícia Federal para responder a um interrogatório. O procedimento não foi aplicado a Mandi Coelho, outro integrante brasileiro da flotilha que retornou anteriormente, conforme o próprio Ávila relatou à Agência Brasil.

O ativista viajava em uma embarcação da GSF quando foi retirado à força por militares israelenses, ao lado do ativista palestino-espanhol Saif Abukeshek. Segundo ele, o navio havia desviado da rota para Gaza por causa de uma tempestade e estava em Creta quando ocorreu a abordagem.

Vendado, acorrentado e em cela solitária

Durante o confinamento, Ávila permaneceu vendado por grande parte do tempo, sem distinguir dia de noite, e acorrentado com quatro algemas em uma cela solitária. Ele confirmou relatos que circularam no movimento pró-Palestina de que foi agredido fisicamente e chegou a desmaiar duas vezes.

Diariamente, segundo o ativista, presenciava torturas contra palestinos e ouvia dos militares israelenses que o poupavam “por uma decisão deles, porque eles tinham direito judicial de fazer isso”. As ameaças eram explícitas: ele declarou à Agência Brasil que os militares afirmavam querer mantê-lo preso por cem anos.

Denúncias e contexto internacional

Ao retornar, Ávila reforçou as denúncias sobre a situação em Gaza e defendeu que líderes responsáveis pela violência sejam nomeados publicamente como criminosos de guerra. Ele lembrou que o premiê israelense Benjamin Netanyahu já teve mandado de prisão expedido pelo Tribunal Penal Internacional, em novembro de 2024, ordem que segue descumprida até hoje.

A Organização das Nações Unidas classificou a ofensiva israelense intensificada a partir de outubro de 2023 como geradora de destruição e sofrimento em níveis sem precedentes, citando falta de acesso a moradia, alimentos, água potável e atendimento médico.

Flotilha seguirá com novas embarcações

Apesar da experiência traumática, Ávila afirmou que a mobilização internacional não vai recuar. Segundo ele, cerca de 50 embarcações devem partir em breve da Turquia em direção a Gaza, dando continuidade à missão humanitária.

A ativista Mandi Coelho, também integrante da flotilha, destacou à Agência Brasil a importância simbólica da iniciativa: enquanto o grupo enfrentava obstáculos para levar ajuda a civis, embarcações com insumos destinados ao aparato militar israelense cruzavam o Mediterrâneo sem impedimentos.

Crise humanitária se aprofunda

Relatório recente da ONU aponta que a Organização Mundial da Saúde registrou 38 ataques a serviços de saúde na Cisjordânia desde janeiro deste ano, com quatro unidades e 33 ambulâncias atingidas. Em dezembro de 2024, o pediatra Hussam Abu Safiya foi detido por forças israelenses ao dirigir o último hospital em funcionamento no norte de Gaza, enquanto estava em luto pela morte do próprio filho em um ataque aéreo.

Os maiores doadores do fundo humanitário para a Palestina ocupada são Finlândia, Bélgica, Irlanda, Reino Unido e Suécia.

Informações e foto com Agência Brasil.

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