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Nova fase da Carbono Oculto mira fintechs e nafta adulterado na lavagem de dinheiro pelo PCC

Há 5 meses
Atualizado quinta-feira, 28 de maio de 2026

Da Redação

O grupo de atuação e combate ao crime organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo e a Receita Federal deflagraram nesta quinta-feira, 28, mais uma etapa da investigação que apura como o Primeiro Comando da Capital (PCC) se infiltrou no mercado de combustíveis para lavar dinheiro e fraudar o fisco. A operação cumpre 55 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

A novidade desta fase é a comprovação de que o esquema não parou depois das primeiras batidas policiais, em agosto de 2025. Pelo contrário: os criminosos reorganizaram as operações, trocaram empresas, mudaram os nomes dos sócios e continuaram movimentando dinheiro sujo como se nada tivesse acontecido.

Contas únicas para dezenas de postos

Uma das manobras mais ousadas descobertas pelos investigadores foi concentrar as movimentações financeiras de 56 postos de combustíveis em uma única conta bancária. A estratégia servia para dificultar o rastreamento do dinheiro e confundir os fiscais.

Além disso, o grupo passou a migrar recursos entre várias fintechs — plataformas financeiras digitais — e criou novas empresas para substituir as antigas, já identificadas pelas autoridades. Os relatórios de inteligência financeira detectaram movimentações atípicas que somam quase R$ 4 bilhões.

Os dois líderes foragidos

À frente do esquema estão Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”. Os dois são donos do Grupo Aster/Copape e estão foragidos desde agosto do ano passado, quando também foram alvo da Operação Tank, da Polícia Federal.

Os empresários chegaram a negociar um acordo de delação premiada com o Ministério Público, mas a proposta foi rejeitada. Para os promotores, eles esconderam informações cruciais sobre lavagem de dinheiro, ligações com o PCC e corrupção policial — omissões que também aparecem nas transações feitas por meio de laranjas após a primeira operação.

A máfia do nafta

Uma segunda frente da investigação mira o que os promotores chamam de “máfia do nafta”. O esquema funciona assim: empresas importam nafta, um derivado de petróleo com tributação muito mais baixa do que a gasolina, e vendem o produto ilegalmente como combustível automotivo.

O prejuízo estimado com a sonegação fiscal passa de R$ 200 milhões. O Ministério Público apresentou denúncia criminal contra oito suspeitos pelos crimes de adulteração de combustível, falsidade ideológica em milhares de notas fiscais e participação em organização criminosa. A Justiça de Capivari, no interior de São Paulo, negou o pedido de prisão feito pelos promotores.

Empresas abertas em nome de morador em situação de rua

Durante as investigações, os promotores descobriram que algumas das empresas usadas para encobrir o esquema foram abertas apenas em fevereiro e março deste ano — meses depois de as fraudes já terem sido expostas. Entre os “donos” registrados estão laranjas, uma pessoa presa e até um morador em situação de rua.

Uma das empresas tem endereço registrado em um logradouro chamado Travessa da Lambança. “As fraudes são muito eloquentes”, afirmaram os promotores. O mesmo grupo de fundos de investimento identificado na fase anterior da operação, ligados aos portos por onde o nafta importado entra no Brasil, voltou a aparecer nas apurações.

Mercado financeiro como fachada

Além das fintechs, os investigadores identificaram o uso de FIDCs — fundos de investimento em direitos creditórios — para lavar o dinheiro oriundo da adulteração de combustíveis. A estratégia era usar o mercado financeiro formal para dar aparência legal às transações e esconder quem realmente lucrava com as fraudes.

A operação desta quinta-feira conta com a participação da Polícia Civil, da Polícia Militar, da Receita Federal, da Secretaria da Fazenda Estadual e da Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo.

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