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Fachin convoca plenário do STF para discutir relatório sobre Moraes e Vorcaro

Há 2 meses
Atualizado quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Da Redação

Sessão marcada para terça-feira (15) vai definir se documento da PF, que revelou trocas de mensagens entre o banqueiro e o ministro, é válido. Corte também decide sobre pedido de nulidade feito pela PGR.

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, marcou uma reunião do plenário da Corte para a próxima terça-feira (15). O objetivo é discutir um relatório da Polícia Federal que menciona uma possível aproximação entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, hoje preso. O documento veio a público no início do mês, depois que o ministro André Mendonça decidiu retirar o sigilo que protegia as informações.

O que está em jogo na reunião

Durante o encontro, os ministros do STF vão avaliar se o relatório produzido pela PF segue válido. A polêmica existe porque o pedido de apuração partiu diretamente de Mendonça, sem que o colegiado da Corte tivesse autorizado previamente esse tipo de investigação sobre um colega de tribunal. Essa questão de procedimento gerou desconforto entre outros integrantes do Supremo.

Além disso, os ministros vão se posicionar sobre um pedido apresentado pela Procuradoria-Geral da República. O órgão, comandado por Paulo Gonet, defende que o material deve ser considerado nulo. Segundo a PGR, Mendonça não tinha respaldo para determinar essa apuração sozinho, já que não houve solicitação nem do Ministério Público, nem da própria corporação policial. A tese defendida é a de que somente o plenário pode autorizar uma investigação contra um ministro da Corte.

Outras movimentações de Fachin

Ainda nesta quarta-feira (9), o presidente do STF tomou outras três decisões importantes. Ele suspendeu uma determinação anterior de Mendonça que havia afastado dois nomes da cúpula da Polícia Federal: o diretor-geral Andrei Rodrigues e o diretor de Inteligência, Leandro Almada.

Na sequência, Fachin também suspendeu um ato do ministro Flávio Dino, que tinha reconduzido os dois policiais aos seus cargos originais. Por fim, o presidente do Supremo assumiu pessoalmente a condução do inquérito das fake news, investigação que até então estava sob responsabilidade de Alexandre de Moraes.

A origem do conflito

O impasse entre Mendonça e Moraes tem raiz nas apurações sobre o Banco Master, instituição financeira que está no centro de diferentes investigações conduzidas pela Justiça. A disputa institucional acabou envolvendo outras autoridades, como o procurador-geral Paulo Gonet, o diretor-geral da PF Andrei Rodrigues e, mais recentemente, o ministro Flávio Dino.

Vale lembrar que Mendonça também é o relator de um inquérito distinto, que apura repasses financeiros de Vorcaro, a pedido de Flavio Bolsonaro, e usados na produção de um filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

As mensagens encontradas no celular de Vorcaro

O conteúdo revelado pela PF é resultado da análise do celular de Daniel Vorcaro, aparelho apreendido durante a chamada Operação Compliance Zero. As conversas analisadas, trocadas pelo WhatsApp, cobrem o período entre março de 2024 e agosto de 2025.

Esse material ficou registrado em um trecho específico do relatório policial, dedicado a mapear encontros entre o banqueiro e o ministro do STF. Ao todo, foram identificadas 52 mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes. Como a extração de dados teve como origem apenas o telefone do banqueiro, o conteúdo das respostas de Moraes não constava no documento.

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