Por Hylda Cavalcanti
Numa eleição considerada inédita na história do Brasil, em que o candidato a presidente com menor percentual de votos no primeiro turno conseguiu virar e sair vitorioso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito na noite deste domingo (25/10) para o seu quarto mandato e passa a ser o único presidente eleito por quatro vezes, tendo 16 anos de governo, no total, do país. A eleição, porém, foi marcada voto a voto, mudanças constantes de resultados e muita tensão por parte de políticos e militantes.
Mas, também, por mais eleitores nas urnas, menos votos brancos e nulos, virada em mais de 200 cidades e perda de votos de Flávio Bolsonaro (PL) em parte do país: uma combinação que levou Lula à vitória histórica.
Mais de 64 milhões de votos
Conforme os dados finais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula obteve, encerradas todas as urnas, 64,2 milhões de votos no país — mais precisamente 64.256.232 votos.
Saiu de uma desvantagem de 2,2 milhões de votos para Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno para uma vitória por 4,4 milhões no segundo. O presidente virou em 211 cidades e alcançou votação recorde.
Comparações percentuais
Em termos percentuais, Lula teve 51,79% dos votos válidos contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. Ele reverteu a desvantagem do 1º turno ao ganhar 10,3 milhões de votos adicionais. Quase três vezes o crescimento de Flávio Bolsonaro, que cresceu 3,7 milhões.
Em termos de abstenção, neste segundo turno o número de pessoas que se abstiveram caiu para 19,21% e os votos brancos e nulos diminuíram. Além disso, Do total de votos adicionais recebidos pelos dois candidatos, 73,6% foram para o petista.
Mais que derrotados do 1º turno
Os resultados do TSE apontaram mais. Comprovaram que o avanço de Lula foi maior do que a soma dos votos recebidos por todos os outros candidatos derrotados no primeiro Turno. Juntos, os demais concorrentes, incluindo Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo), tiveram 9,3 milhões de votos, cerca de 1 milhão a menos do que o crescimento registrado pelo presidente.
O que, conforme a avaliação de cientistas políticos, mesmo que todos os eleitores dos candidatos derrotados tivessem migrado para Lula, esses votos não seriam suficientes para explicar o aumento de sua votação.
O impacto Minas Gerais
Esses movimentos, junto com os votos dos candidatos eliminados, compuseram o cenário que permitiu a Lula ampliar sua votação e ultrapassar Flávio.
O presidente também ampliou sua votação em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal entre os dois turnos. De acordo com o TSE, os maiores ganhos em números absolutos ocorreram em São Paulo, onde Lula passou de 9.505.413 para 12.119.274 votos, um aumento de 2.613.861. Na sequência, aparecem Minas Gerais, com 1.162.163 votos a mais, e Rio de Janeiro, com um acréscimo de 872.372 votos.
— Com informações do TSE e Agências de Notícias